
[Intro] [Verse 1] Segundo andar, luz no vidro A tarde a se retirar Todo dia a mesma rua Todo dia a reparar (Segundo andar, luz no vidro) (A tarde a se retirar) (Todo dia a mesma rua) (Todo dia a reparar) [Verse 2] Ela encosta na janela Quando o sol começa a arder Vê a tarde, nos edifícios, Devagar envelhecer Tem cadernos, louça fria Um violão sobre o colchão Tem vontade de ser brisa E sair pelo portão [Verse 3] Lá embaixo, sempre em ponto Chega sempre o mesmo olhar Um homem com a sua pasta Passa o tempo a esperar Todo dia o avista Todo dia o quer chamar Mas não sabe o nome dele E para de imaginar [Pre-Chorus] Então canta sempre baixo Pra ninguém a escutar Mas a noite junta em música O que ela não pode dar [Chorus] A menina da janela Canta baixo ao entardecer E o que falta na coragem Vai na voz sem perceber (A menina da janela) (Com violão e solidão) (Põe um resto de doçura) (Naquele triste coração) [Verse 4] No espelho ensaia um gesto Um “boa noite”, um “como vai?” Mas na rua, quando escurece, Abre um vão fundo demais Tem ideia de partida Tem desejo de fugir Mas o peito, quando tenta, Já começa a desistir [Verse 5] Então pega o violão Como quem segura a mão De si mesma no barulho Na vertigem do clarão Cada sílaba que engasgou Cada acorde que doeu Vai caindo sobre a rua Como um beijo que não deu [Pre-Chorus] Ela canta sempre baixo Quase à beira de calar Mas a noite perde o juízo Ao começar a cantar [Chorus] A menina da janela Canta baixo ao entardecer E o que a vida maltrata Sente a chama renascer A menina da janela Sem descer do seu lugar Vai forrando a noite alheia Pro homem atravessar [Interlude] [Verse 6] Os olhos ergue um instante Como quem parou pra ouvir Daquele som vem a chama Que o impede de cair Ela baixa o rosto, aflita Sem coragem de insistir Mas o som já foi mais longe Do que ela pôde ir [Bridge] Passa o ônibus, passa a pressa Passa um resto de jornal Mas por cima do barulho Sua voz vence o metal E o que havia de mais duro Que o concreto lá do chão Quase aprende, num segundo, A bater feito um coração [Chorus Final] A menina da janela Canta baixo ao anoitecer E José, no ponto, escuta Algo antigo renascer (A menina da janela) (Nunca ousou lhe dirigir) (Uma palavra, um aceno) (Mas o ajuda a prosseguir) A menina da janela Com violão e timidez Vai salvando a noite inteira Sem saber o bem que fez (A menina da janela) (Todo dia, à mesma hora,) (Faz da música pequena) (Uma luz que não vai embora) [Outro] Segundo andar, luz no vidro A tarde a se retirar Todo dia a mesma rua Todo dia a reparar [Fade out] (Segundo andar, luz no vidro) (A tarde a se retirar) (Todo dia a mesma rua) (Todo dia a reparar) "E ela insiste em cantar!"

