
Eternos atalaias Últimos Sonetos, de Cruz e Souza, 1905 "post mortem" ******* Os sentimentos servem de atalaias Para guiar as multidões errantes Que caminham tremendo, vacilantes Pelas desertas, infinitas praias... Abrangendo da Terra as fundas raias, Atingindo as esferas mais distantes, São como incensos, mirras odorantes, Miraculosas, fúlgidas alfaias. Tudo em que tocam logo transfiguram, Encantam tudo, tudo em torno apuram, Penetram, sem cessar, por toda a parte. Alma por alma em toda a parte inflamam. E grandes, largos, imortais, derramam As melancólicas estrelas d’Arte!

