Quando ouço o som da alma,
vem um tremor a me tocar;
tanta coisa em tão poucas palavras
que nem o mundo sabe escutar. Vivo num aquário estreito,
pequeno demais pra caber em mim,
e mesmo querendo o mar lá fora,
às vezes recuo antes do fim. E se eu cruzar a onda agora?
O que será que vou encontrar?
Forças grandes, ventos vivos,
o mesmo chamado do meu lugar. E quando olho no espelho, digo: “Mostra-me quem sou,
mas não me aprisione lá.” É o corpo virando emoção concreta,
é o desejo que avança e depois recua,
é a vida pedindo espaço pra ser completa,
sem saber ainda onde é a rua. Sou marinheira do meu próprio céu,
e mesmo sem rumo pra pousar,
carrego um canto dentro do peito
que me empurra sempre a navegar.