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Noite de Pano Grosso

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V4.5+

Título: “Noite de Pano Grosso” –––––––––––––––––––––––––––––––––– [Intro – 4 compassos, felt-piano sozinho, pad soprando como vento frio] [Verso 1] Desço a escada molhada do teu nome, cada degrau um beijo que não seca. O relógio trinca e engole o som do piano, e fico descalça no caco redondo da lua. Teu cheiro ainda queima na manga do casaco, como incenso vagante que esqueceu a oração. [Pré-refrão] Vem, abre a janela do peito, deixa o vento frio apagar o fósforo do medo. Se o mundo é um lençol manchado de vinho, eu sou o vício que não quer ser perdoado. [Refrão] Noite de pano grosso, costura a minha boca no teu silêncio. Dança devagar, faca em fio d’água, até a dor ficar tão bonita que parece flor. Noite de pano grosso, traz teu olhar preto que me prende. Se a vida é um cigarro, eu quero ser cinza grudada no teu beijo, sem hora de acabar. [Verso 2] O bonde passa lá fora, arrastando sombras, mas aqui dentro só ecoa teu sussurro de mar. Penduro na parede a foto molhada do ontem, e ela pinga cores que ninguém mais viu. Teu corpo é um mapa de ruas sem saída, e eu ando, cigana, na chuva de néon que arde. [Pré-refrão] Vem, deixa o tempo bater e morrer na porta, a gente inventa um segundo que dure mil anos. Se a solidão é vício, eu me entrego de joelhos, pra ser presa do teu toque, escrava do sal. [Refrão] Noite de pano grosso, costura a minha boca no teu silêncio. Dança devagar, faca em fio de sangue, até a dor ficar tão bonita que parece flor. Noite de pano grosso, traz teu olhar preto que me prende. Se a vida é um cigarro, eu quero ser cinza grudada no teu beijo, sem hora de acabar. [Ponte – bateria cai, só batida de coração e synth longo] Eu sou o sal que não derrete, o fio que nunca acaba. Se o céu me negar, eu pego um anjo e faço dele pano pra limpar tuas lágrimas. (crescendo: pad celeste, guitarra limpa delay, hi-hat sussurrando) [Refrão final – voz dobra em terças, plate 2.2 s] Noite de pano grosso, costura a minha alma no teu destino. Dança devagar, faca em fio de sangue, até o fim ser tão doce que parece começo. Noite de pano grosso, guarda nosso segredo no bolso do vento. Se a morte chegar, que ela nos encontre abraçados no último suspiro… gritando sussurro na noite de pano grosso. [Outro – piano sozinho, pad some em ruido quente, voz murmura “fica” até o nada]