
Estrofe 1 Na poeira dos dias sigo atento, Sem mapa fixo nem destino exato. Cada passo é um breve sacramento, Cada encruzilhada, um novo trato. Estrofe 2 A fé não é morada de cimento, Mas tenda aberta ao sopro do Espírito. Sou caminhante em santo movimento, Guiado mais por fé do que por rito. Estrofe 3 Na estrada, as perguntas são amigas, E a dúvida já não me desatina. Pois sei que até as sombras mais antigas Se curvam ante a luz que me ilumina. REFRÃO Senhor que move os astros e o andarilho, Em Ti caminho mesmo sem saber. Tua presença é ponte e é trilho, És estrada antes mesmo de eu viver. Estrofe 4 Não busco mais certeza em linha reta, Mas nas curvas da graça cotidiana. A alma inquieta, o passo que interpreta As epifanias da manhã urbana. Estrofe 5 De Teixeira a Itabuna me revejo — Cada cidade, um verso do Teu canto. E mesmo quando não Te reconheço, Estás no chão que piso e nos meus prantos. Estrofe 6 A Bíblia é estrada em mim encarnada, Palavra que se faz carne no viver. Não mais lida apenas, mas trilhada Em cada gesto simples de querer. REFRÃO Senhor que move os astros e o andarilho, Em Ti caminho mesmo sem saber. Tua presença é ponte e é trilho, És estrada antes mesmo de eu viver. Estrofe 7 Quem caminha aprende a reverência Ao que escapa ao dogma e à moldura. Descobri que o amor é consciência Que se curva ante a humana estrutura. Estrofe 8 Por isso, vou: discípulo do vento, Pastoreando até quem não me espera. A teologia é verbo em movimento, É luz que se deita sobre a esfera. PONTE Gratidão aos mestres do silêncio, Às vozes mansas, aos que não julgaram. Foram estrelas no céu do meu início, Que sem querer, meus passos iluminaram. REFRÃO Senhor que move os astros e o andarilho, Em Ti caminho mesmo sem saber. Tua presença é ponte e é trilho, És estrada antes mesmo de eu viver. REFRÃO FINAL E sou feliz por crer com liberdade, Por ver amor onde antes vi temor. Teu Reino é chão, é pão, é claridade — E Tua Lei maior é puro amor.

