
Por favor, seu delegado, Não me prenda, por favor; Eu sou um simples soldado, Humilde trabalhador. Por favor, seu delegado, Eu sou um homem de bem; Pago imposto, até dobrado, E nunca roubei ninguém. Por favor, seu delegado, Não cometi nenhum crime; Hoje vivo até isolado, E o Estado me reprime. Apenas usei palavras, Tentando me defender; Pessoas ficaram bravas E mandaram me prender. Por favor, seu delegado, Não me prenda, por favor; Eu sou um simples soldado, Humilde trabalhador. Por favor, em meu protesto, Eu só pedi atenção, Junto ao folguedo grotesco Que acontece na nação. Estão prendendo os mocinhos E deixam soltos ladrões, Nos tornando cordeirinhos, Mudando da lei padrões. Nossa lei, quem deveria Julgar mocinho ou bandido, Faz retórica à porfia Para ver o bem banido. Seu delegado, me escute, Sou cidadão, trovador, Que faz verso e não discute Com homem da lei, doutor. Por favor, seu delegado, Não me prenda, por favor; Eu sou um simples soldado, Humilde trabalhador. Não me prenda por falar Em meus versos libertários; Que meu povo quer amar, E eu verso documentários. Se isso estiver contra a lei, Cadê nossa liberdade De falar: “eu não gostei Do padrão, atrocidade”? Precisamos de unidade, De amor, mais união, Para mostrar que a verdade É pilar do cidadão. Por favor, seu delegado, Não me prenda, por favor; Eu sou um simples soldado, Humilde trabalhador. Por favor, seu delegado, Não me prenda, por favor; Eu sou um simples soldado, Humilde trabalhador.

