(estrofe 1) Josué termina chamando à decisão, Recorda a aliança, a história e a vocação; Há fé, compromisso, memória e temor, Mas nem toda narrativa precisa ter o mesmo autor. (estrofe 2) Há coisas preciosas que podemos guardar: Coragem diante do medo, responsabilidade no caminhar; Há compromisso com Deus e disposição para servir, Valores que continuam nos chamando a prosseguir. (estrofe 3) Mas surge uma pergunta difícil de esconder: Quem disse que cada ordem veio do poder? Será que toda leitura de um povo sobre Deus Precisa ser recebida como se fosse a própria voz dos céus? (estrofe 4) Uma coisa é narrar aquilo que aconteceu, Outra é afirmar: “Foi Deus quem determinou e ordenou”; Entre o fato narrado e a interpretação religiosa, Existe uma distância que a leitura cuidadosa torna preciosa. (refrão) A IDEIA DE QUE TUDO FOI ORDENADO POR DEUS, PRECISA SER PASSADA PELO CRIVO DO ROSTO DE JESUS; NEM TUDO QUE UM POVO ATRIBUIU À VOZ DOS CÉUS PODE SER COLOCADO SOBRE OS LÁBIOS DAQUELE QUE É LUZ. (estrofe 5) Jesus não mandou chamar violência de missão, Nem revestiu vingança de santa obrigação; Ao contrário, diante do inimigo e da agressão, Plantou misericórdia no centro da relação. (estrofe 6) Quando os discípulos quiseram fogo descer, Jesus os repreendeu sem deixar a ira prevalecer; Não transformou a rejeição em razão para ferir, Nem ensinou que o adversário devia sucumbir. (estrofe 7) Então posso reler sem medo de questionar, O que foi atribuído a Deus sem precisar confirmar; Conservo a fidelidade, a coragem e a esperança, Mas retiro da voz divina aquilo que contradiz sua aliança. (refrão) A IDEIA DE QUE TUDO FOI ORDENADO POR DEUS, NÃO PODE SER MAIOR QUE O DEUS REVELADO POR JESUS; SE UMA ORDEM CONTRADIZ O AMOR ENSINADO POR ELE, NÃO PRECISO CHAMÁ-LA DE PALAVRA DO PAI DE JESUS. (estrofe 8) Talvez a fé antiga tenha procurado explicar Por que venceu, por que sofreu, por que precisou lutar; E ao interpretar sua própria trajetória, Pode ter colocado Deus dentro da sua memória. (estrofe 9) Assim, a linguagem religiosa pode absolutizar Aquilo que homens aprenderam a interpretar; A convicção de ontem pode ganhar voz celestial, E uma compreensão humana parecer decreto universal. (estrofe 10) Por isso termino aprendendo a discernir: Nem tudo que leva “Deus mandou” devo repetir; Guardo o que em Jesus produz verdade e compaixão, E deixo aos pés do Mestre o que contradiz seu coração. (ponte) Quanto falhei por chamar toda interpretação de revelação, Confundindo a leitura humana com a própria voz da Divindade; Defendi que o Deus de Moisés era o Pai da salvação, Sem perceber que Jesus também julga nossa compreensão da verdade. (refrão) A IDEIA DE QUE TUDO FOI ORDENADO POR DEUS, NÃO ME OBRIGA A ATRIBUIR AO PAI O QUE JESUS NÃO ENSINOU; EU POSSO HONRAR A FÉ SEM SACRALIZAR TODA INTERPRETAÇÃO, POIS É NO FILHO QUE DISCERNO O ROSTO DO DEUS QUE SE REVELOU. (refrão final) AGORA EU DESCANSO EM JESUS, O DEUS DE PERFEITO AMOR, NELE RECONHEÇO O PAI SEM SOMBRA, SEM DUPLICIDADE OU TEMOR; JAMAIS, POR MOTIVO ALGUM, SERIAS DIFERENTE DISSO CONOSCO, POIS EM JESUS TEU AMOR SE REVELA INTEIRO, SEM OUTRO ROSTO.