
Estrofe 1 Vi emergir do mar uma besta feroz, Dez chifres, sete cabeças, rugido atroz. Sobre seus chifres, diademas havia, E nomes blasfemos em sua ousadia. Parecia leopardo, com pés de urso, E boca de leão em discurso. O dragão deu-lhe poder e trono, Autoridade sobre o mundo sem dono. Estrofe 2 Uma de suas cabeças parecia ferida, Mas sarou, e a terra ficou rendida. Adoraram o dragão, fonte de poder, E a besta que ninguém ousava vencer. Ela proferia arrogância e blasfêmia, Com boca aberta contra a assembleia. Foi-lhe dado guerrear com os santos fiéis, E domínio teve sobre povos e papéis. Estrofe 3 Todos adoraram a besta cruel, Menos os escritos no Livro fiel. Desde a fundação do universo inteiro, Do Cordeiro morto — amor verdadeiro. Quem tem ouvidos, que escute com zelo: Quem leva cativo, irá ao desterro. Quem com espada fere, será ferido, Aqui há paciência do povo oprimido. Refrão Duas bestas com poder enganador, Seduzem nações com falso esplendor. Mas os fiéis não seguem a ilusão, Guardam a fé em meio à perseguição. Estrofe 4 Depois vi surgir da terra outra besta, Com dois chifres — cordeiro em festa. Mas falava como o dragão sombrio, Fazendo a primeira ter novo brilho. Grandes sinais fazia com ardor, Até fogo descer do céu com terror. Enganava os homens com arte e poder, Dizendo: “façam imagem para adorar e temer.” Estrofe 5 Deu fôlego à imagem da primeira, Que falava e matava quem não a venera. Fez que todos, pequenos ou grandes, Recebessem marca — livres ou andantes. Na mão direita ou na fronte ela vinha, Sem ela, ninguém comprava farinha. Era número de homem — sabedoria então: Seiscentos e sessenta e seis é a designação. Refrão Duas bestas com poder enganador, Seduzem nações com falso esplendor. Mas os fiéis não seguem a ilusão, Guardam a fé em meio à perseguição.

