
(estrofe) Num mundo treinado a ferir primeiro, eu aprendi a não sacar a lâmina, ser bom virou gesto verdadeiro de quem não negocia a própria alma mínima. (estrofe) A alegria aqui não é distração, nem riso frouxo diante do horror, é decisão firme, em contramão, de não responder ódio com rancor. (estrofe) Quando tudo grita por revanche, eu sustento o tom da mansidão, porque a bondade também é trincheira contra a brutalidade em expansão. (refrão) Ser alegre é forma de resistência, não rendição, nem alienação, é enfrentar o mal com consciência e não se tornar sua extensão. (estrofe) Há dias em que ser bom cansa, parece inútil, pequeno demais, mas toda gentileza lança fissuras no império do jamais. (estrofe) Não faço da dor espetáculo, nem da violência meu idioma, minha alegria é ato prático de quem não normaliza o trauma. (estrofe) Bondade assim não pede aplauso, nem promete vitória imediata, ela resiste passo a passo sem virar pedra nem virar estátua. (refrão) Ser alegre é forma de resistência, não rendição, nem alienação, é enfrentar o mal com consciência e não se tornar sua extensão. (estrofe) Eu vi o mal tentar me ensinar a ser duro para sobreviver, mas escolhi não me deformar pra caber num mundo adoecido de poder. (estrofe) Minha alegria não ignora o luto, anda com ele sem se render, é um “não” absoluto à pedagogia de fazer sofrer. (ponte) Quantas vezes abandonei a alegria, achando que endurecer era maturidade, troquei cuidado por ironia e chamei cansaço de lucidez. (refrão) Ser alegre é forma de resistência, não rendição, nem alienação, é enfrentar o mal com consciência e não se tornar sua extensão. (refrão final) Hoje eu me amo e escolho a alegria, como ato político e pessoal, sei que a tristeza tem seus dias, mas a bondade é meu voto final.

