(estrofe 1) Ser simples é colher o dia sem alarde, Como quem encontra beleza no comum. É perceber que o essencial não arde Nos brilhos que prometem mais que algum. (estrofe 2) É caminhar leve pelas próprias escolhas, Sem carregar vitrines para se mostrar. É aprender com as silenciosas folhas Que vivem sem precisar impressionar. (estrofe 3) Ser simples é beber da fonte clara Que corre longe da exibição. É deixar que a vida se declare rara No gesto calmo do coração. (estrofe 4) É descobrir riqueza na partilha, E não no peso da acumulação. É perceber que a alegria brilha Na quietude da gratidão. (refrão) Ser simples é viver sem aparência, É dar valor ao que sustenta o ser. É encontrar na vida a transparência De quem aprende apenas a viver. (estrofe 5) Ser simples é ouvir o canto da manhã Sem precisar que o mundo reconheça. É aceitar que a existência humana É mais profunda do que qualquer peça. (estrofe 6) É não buscar aplausos na jornada, Nem transformar virtude em espetáculo. É caminhar com a alma desarmada, Sem medir valor por obstáculo. (estrofe 7) Ser simples é vestir a própria essência Sem máscaras feitas de vaidade. É permitir que a vida tenha ciência De que basta existir com verdade. (refrão) Ser simples é viver sem aparência, É dar valor ao que sustenta o ser. É encontrar na vida a transparência De quem aprende apenas a viver. (estrofe 8) É perceber no pão da mesa humilde Um sinal profundo de abundância. É reconhecer que o coração livre Não depende de extravagância. (estrofe 9) Ser simples é cuidar das pequenas horas Como quem guarda tesouros no chão. É descobrir que as mais raras auroras Nasceram da discreta atenção. (estrofe 10) É transformar a vida em caminho sereno, Sem disputar grandezas ou troféus. E perceber que o gesto mais pequeno Pode revelar a grandeza de Deus. (refrão) Ser simples é viver sem aparência, É dar valor ao que sustenta o ser. É encontrar na vida a transparência De quem aprende apenas a viver.