Olho à minha volta e vejo ruas sem lei, Gente a correr, promessa vazia que ninguém tem. Prédios caídos, graffiti a chorar histórias, E o poder lá no topo a contar vitórias falsas. Crianças nas esquinas, aprendem cedo o medo, Livros fechados, informação restrita, segredo. Na TV, discursos cheios de palavras bonitas, Mas fora do estúdio, vidas partidas, ruas malditas. Roubam sonhos, constroem muros de cimento, Enquanto o povo luta por atenção, por alimento. O sistema diz “trabalha, paga, cala”, Mas cada passo é resistência, cada ato fala. Polícia a vigiar, câmeras por todo o lado, Privacidade morta, futuro hipotecado. Mas o rap continua, voz que não se cala, Contra o abuso e o medo, a mensagem se instala. Corpos nas praças, protestos que ecoam, Palavras escritas em paredes que não desmoronam. A cidade acorda, indignada e desperta, Não há silêncio que apague a voz desta grieta. Os políticos sorriem, apertam mãos vazias, Mas cada cidadão guarda memórias e utopias. Entre impostos, burocracia e promessas quebradas, A esperança sobrevive em ruas desoladas. Ruas e avenidas falam de revoltas antigas, De heróis anónimos, de histórias contidas. Gente que trabalha, luta e ainda acredita, Que o amanhã pode ser diferente, que resista. A educação é limitada, a cultura sufocada, Mas no hip hop encontramos a nossa estrada. Versos que denunciam, beats que aceleram a mente, Cada rima é resistência, cada som é presente. Os bairros respiram desigualdade e coragem, Entre becos e praças, se escreve a nossa mensagem. Não pedimos favor, exigimos atenção, Cada palavra é bala, cada rima é ação. O futuro é incerto, mas a consciência desperta, Hip hop na rua, a verdade não se desconserta. As vozes jovens, os velhos da memória, Todos juntos a construir outra história. É crítica social, é política, é vida, Hip hop na rua, consciência assumida. Quem governa ignora, mas nós lembramos, No microfone, nas rimas, sempre lutamos. Não é só música, é manifesto, é ação, Entre beats e palavras, cresce a revolução. Porque a cidade é nossa, e o rap é o pulso, A consciência tuga não morre, está no impulso. E no fim do dia, enquanto as luzes se apagam, O som continua, mesmo que eles divagam. Cada verso é farol, cada rima é farpa, Rap tuga consciente, a revolta que não se larga.