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DEUS QUE TESTA COM FOME

(ESTROFE 1) No caminho árido da promessa, a falta vira lição severa, como se o estômago vazio fosse a sala onde a fé se espera. (ESTROFE 2) A privação ganha nome santo, é chamada prova espiritual, o pão ausente vira método, o sofrimento, didática moral. (ESTROFE 3) Ensina-se que Deus observa quem suporta sem questionar, como se a fome purificasse quem aprende a se calar. (REFRÃO) Perdão, Senhor, não és o Jeová, que mede a fé pela escassez, teu amor não educa ferindo, nem chama a fome de altivez. (ESTROFE 4) Jesus encontra multidões vazias, não lhes propõe jejum forçado, vê crianças, corpos cansados, e não chama isso de pecado. (ESTROFE 5) Antes da palavra vem o pão, antes do ensino, a refeição, porque barriga vazia não escuta teologia nem exortação. (ESTROFE 6) Ele não diz: “suportem mais um pouco”, nem sacraliza a privação, manda organizar o povo, e faz do cuidado uma revelação. (REFRÃO) Perdão, Senhor, não és o Jeová, que testa a fé pela dor, em Jesus, o sinal do Reino é mesa farta e amor. (ESTROFE 7) Nem no deserto Ele aceita provar filiação pela fome, recusa transformar pedras em pão para provar poder ou nome. (ESTROFE 8) Mas quando o outro tem necessidade, o milagre nasce da compaixão, pois Deus não se afirma na carência, revela-se na provisão. (PONTE) Quanto errei chamando abandono de pedagogia celestial, defendi a fome como método e a dor como bem espiritual. (REFRÃO) Perdão, Senhor, não és o Jeová, que ensina negando o pão, teu teste não é a escassez, teu sinal é a partilha em comunhão. (REFRÃO FINAL) Hoje descanso em Jesus, Deus-amor, que jamais negocia cuidado, pois nunca, por motivo algum, serias diferente conosco, amado.