
Onde a saudade navega e o sol queima devagar, o português aprendeu a encolher e a gritar. De Lisboa ao Rio, de Luanda a Maputo, a mesma língua chora, mas nunca fica mudo. O brasileiro estica as vogais no varal, o angolano corta as sílabas com seu gingar. E o português de Coimbra cerra os dentes para não perder o fado entre os sorrisos quentes. As palavras são barcos sem bússola e sem norte, levam feijoada, calulu, e às vezes sorte. Um rapaz de São Tomé escreve poesia com a mesma mão que colhe cacau num só dia. Somos muitos, somos poucos, somos quase esquecidos, mas quando falamos – os ossos são unidos. A língua dói, mas cresce – não cabe no passado. É um oceano inteiro em um abraço dado.

