
[Intro: Batida seca, minimalista, voz colada no microfone sem afetação] Eu assinei o laudo da minha própria ruína. Aceitei o teto baixo, a esmola, a neblina. Fui fiador de um afeto que já nasceu falido, Cobrando empatia de quem é só um fodido. Destranquei a porta, deixei o estrago ser feito: Fui curativo de kamikaze achando que era respeito. [Verso 1: O groove engrossa, rítmica de rap/spoken word agressivo] No meio da matilha, com a carne aberta e exposta, Fui lamber a ferida de quem já virava as costas. Achei que o meu carinho ia domar essa natureza, Que uma migalha de afeto ia sentar os cães na mesa. Mas lobo não quer colo quando sente o cheiro cru: Sentiram o meu trauma e rasgaram meu peito nu. Limpei o pelo dos monstros enquanto eu mesmo sangrava, E a culpa é minha, porra, por achar que bastava. [Refrão: Explosão visceral, distorção, catarse total] Bati no meu limite. O corpo cedeu, o chão me engole. Tô sem força pra aturar quem me arranca a pele e me esfola! Mas o que fode a mente, o que rasga a sanidade... É esse vício no veneno disfarçado de saudade. Sentir falta da lâmina que abriu o primeiro corte... É o limite da alma flertando com a própria morte! [Ponte / Clímax: O instrumental corta quase a zero, tensão pura, quase sem fôlego] A força esgotou. A porra do herói morreu. No meio desses vermes mastigando o que era meu... A verdade mais nojenta que eu guardei por inteiro: O meu limite... foi ter saudade do meu próprio açougueiro.


