
Nasceu no pensamento um breve clarão, Um mapa que a mente traçou sem lugar. Mas sem o calor que desperta a visão, Não passa de um sopro que paira no ar. Vontade dispersa na névoa do além, Semente que dorme sem nunca brotar. Se o peito não sente e a mão não retém, O tempo desfaz o que estava a sonhar. Intenção que não ganha raiz nem abrigo Fica solta no éter, sem alma ou pulsar. É um eco distante que não faz sentido, Uma vaga lembrança perdida no mar. Pra que a vida aconteça e o sonho floresça, É preciso dar corpo ao que o peito guardou. O mundo abstrato não guarda calor, Não colhe os frutos de quem não plantou. De nada vale um silêncio em flor, Se a força do gesto jamais acordou. É tempo de erguer o que estava suspenso, Fincar no terreno uma sólida voz. Tornar manifesto este mundo tão denso, Fazer do invisível um templo em nós. Um rastro no vento que foge ao passar... Um simples vislumbre que a sombra desfaz... [Building tension with piano and percussion] Mas quando o intento se curva a criar, A mente e o mundo encontram a paz! Intenção que não ganha raiz nem abrigo Fica solta no éter, sem alma ou pulsar. É um eco distante que não faz sentido, Uma vaga lembrança perdida no mar. Pra que a vida aconteça e o sonho floresça, É preciso dar corpo ao que o peito guardou! Não deixes a essência perder-se no ar... Dá forma, verdade e chão ao sentir.

