
[Intro] [Guitarra portuguesa solo, lenta, como quem abre um envelope] [Verse 1] Escrevo-te de noite, com a pena que herdei A tinta sabe a tempo, a palavra sabe a lei Do silêncio entre amigos que não precisam de voz Basta a folha e a mão — e o resto fala por nós [Verse 2] Recebi a tua carta com o selo meio torto Cheira a livros velhos e às pedras do Porto Dizes pouco mas dizes tudo entre as linhas Que a amizade verdadeira vive nas entrelinhas [Chorus] Correspondência — o fio que não se parte De quem se escreve por necessidade e por arte Cinco amigos no escuro, cinco pontos de luz Cada carta é um caminho que ao outro nos conduz [Verse 3] O professor escrevia com a letra mais bonita O aluno respondeu com uma obra infinita O alfarrabista guardou o que ninguém guardou E o poeta que partiu — por carta nunca calou [Bridge] Quinze mil cartas, Camilo, quinze mil E em cada uma o Porto, o amor, o mês de Abril Cento e vinte anos depois alguém responde enfim Que a conversa entre amigos não conhece nenhum fim [Chorus] Correspondência — o fio que não se parte De quem se escreve por necessidade e por arte Cinco amigos no escuro, cinco pontos de luz Cada carta é um caminho que ao outro nos conduz [Outro] [Guitarra portuguesa desvanece, som de papel a dobrar]

