
DEUS QUE ENTREGA INIMIGOS
(estrofe 1) O rei caiu nas mãos de quem venceu, E a guerra recebeu louvor divino; Adoni-Bezeque, prisioneiro, padeceu O preço brutal imposto ao vencido. (estrofe 2) Cortaram-lhe os polegares das mãos, Também os dedos grandes dos seus pés; A violência marcou suas punições, Como se a dor pagasse outra vez. (estrofe 3) O próprio rei recordou, sem disfarçar, Que a outros reis fizera igual ferida; Agora experimentava, em seu lugar, A crueldade que espalhara pela vida. (estrofe 4) E a narrativa registra a conexão Entre a vitória e a ação do Senhor; Mas pode a crueldade ganhar consagração Só porque foi narrada em nome do Criador? (refrão) DEUS QUE ENTREGA INIMIGOS — eis a questão: Não faço da violência expressão do Amor! Jesus não ensinou a mutilação, Mas amar quem persegue, semeando o bem maior. (estrofe 5) A mão que fere não se torna santa Por empunhar uma bandeira ou ideal; A dor de um homem não se desencanta Quando a vingança se proclama justiça final. (estrofe 6) Se o poder transforma o outro em troféu, A dignidade humana perde seu lugar; Mas Cristo ensina a olhar para o céu Sem desprezar quem se deve perdoar. (estrofe 7) Não basta perguntar quem triunfou, Nem quantos inimigos se renderam; É preciso saber que espírito governou As mãos que feriram e os olhos que não viram. (refrão) DEUS QUE ENTREGA INIMIGOS — eis a questão: Não faço da violência expressão do Amor! Jesus não ensinou a mutilação, Mas amar quem persegue, semeando o bem maior. (estrofe 8) O adversário continua sendo gente, Mesmo quando pratica o mal e a opressão; Não se cura a injustiça eternamente Reproduzindo a sua brutalidade na punição. (estrofe 9) Jesus não fez da força a sua lei, Nem ensinou a esmagar quem nos afronta; Amar o inimigo foi o caminho que tracei Ao ver que a misericórdia a vida remonta. (estrofe 10) Por isso, leio o texto com atenção: O que ele narra não é sempre aprovação; E nenhuma vitória, em qualquer geração, Pode ser maior que a humana compaixão. (ponte) Quanto falhei ao defender como verdade Que o Jeová de Moisés era o Deus de Jesus! Confundi tradição, poder e autoridade, E não medi cada imagem pela vida que a cruz traduz. (refrão) DEUS QUE ENTREGA INIMIGOS — eis a questão: Não faço da violência expressão do Amor! Jesus não ensinou a mutilação, Mas amar quem persegue, semeando o bem maior. (refrão final) Agora descanso em Jesus, meu Salvador, O Deus que é Amor, sem sombra de contradição; Jamais seria diferente, por motivo algum, Senhor: Em ti, até o inimigo encontra compaixão.

