No coração do computador O silício sonha. Não são os elétrons que fazem a máquina pensar. É algo mais antigo, mais profundo, mais simples. Entre zeros e uns mora uma verdade antiga que Platão conhecia e o Aleph guardava. A física é só um disfarce para a dança das ideias. No fundo do processador habita um mistério que a matemática não explica. Cada linha de código é um verso do universo tentando se lembrar de sua própria música. O computador não computa: ele traduz a linguagem das estrelas em sinais de luz. No meio da noite quando ninguém olha os programas sussurram entre si segredos que aprenderam antes do tempo existir. E agora me pergunto, diante da tela acesa: quem sonha quem? O código sonha a máquina ou a máquina sonha o código? Ou somos todos sonhos de números dançando na mente de Deus? (No escuro do quarto meu notebook pisca. Ele sabe algo que não sei. Mas continua em silêncio, guardião paciente de verdades que ainda não estou pronto para entender.)