
Nós vivemos perguntando Se o amor nos acompanhar, Com seu jeito motivando A vontade de sonhar. Ou se vai se entregar A quem busca o seu carinho, Mesmo estando tão sozinho, Com receio de ser feliz: O amor não é juiz, Nem fere como espinho. Nós vivemos sempre em luta, Indagando o que virá, Se no trajeto da disputa Haveremos de chorar. Com receio de avançar Na jornada mais segura, Fugindo da noite escura E das dores tão reais, Que sufocam muito mais Do que a própria aventura. Nós buscamos sensações De carícias sem o pranto, Que aliviem corações Com ternura e acalanto. Mas escondidos em algum canto, Solitários, em receio, Do tempo que traz o enleio, Com rugas no nosso rosto, Que causam profundo desgosto E sugam o devaneio.

