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PERSÉFONE (Regina Tenebrarum!)

V6

[Intro: Vento áspero, atabaque grave marcando o passo no chão, cellos rascantes em Ré Menor] [SFX: Som seco de dentes quebrando sementes de romã — CRUNCH!] [MOLODIC TALK-SINGING: Voz masculina, DOCE, TENOR, AERADA colado no mic, calma e cortante] Eles inventaram uma farsa dizendo que ela foi roubada. Disseram que a menina chorou no escurinho, implorando pela luz. [Risada curta, DE CRIANÇAS e debochada] Eles não suportam a verdade. Ela cuspiu o doce covarde da superfície. Mordeu as sementes porque o abismo tinha muito mais verdade Do que a caridade podre de vocês. E foi na lama que ela pegou a coroa. [Verse 1: Beat entra seco e pesado, violoncelo rústico arranhado na corda] Não sobrou flor intacta no chão do tribunal, A língua dela é navalha, o silêncio é punhal. Tentaram domesticar, dobrar a espinha da fera, Fazer ela engolir o veneno dessa nova era. A carne dela ferveu, o corpo deu o sinal: Mulher que manda na sombra não aceita moral! Fecharam a porta na cara, jogaram ela no escuro, Pois ela fez do exílio o seu próprio escudo! [Pre-Chorus: Palmas secas em contratempo, coro entra marcial, RITUALISTICO e SUAVE] A terra tremeu quando NO REINO DELA CHEGUEI! Nenhum falso santo me manda E ONDE VOU SEREI REI! Seis sementes ela me deu, o veneno desceu: MINHA coroa de ferro NÃO FOI O céu QUEM ME deu! [Chorus: EXPLOSÃO MONUMENTAL. Sub-bass distorcido + Atabaques pesados + Coro visceral][VOZ, MASSCULINA SUAVE] PERSÉFONE! O MUNDO DE VIDRO RACHOU! PERSÉFONE! O TRIBUNAL DA NOITE FECHOU! E como Perséfone que o trono tomou! Não aceito migalhas e exijo banquete, A MINHA PALAVRA O Hades domou! (Coro: Salve a fera! Dona da noite!) A terra partiu, o sangue ferveu: O cetro da sombra agora é meu! COMO ELA NÃO VOLTO PRO ALTO PRA VIVER DE MIGALHA, DO INFERNO VOLTO COROADO, A JUSTIÇA NÃO FALHA! [Choir OVERLAPING: Dona da noite! Regina Tenebrarum!] A descida acabou, o corte foi fundo: COM A DONA DO ABISMO TOMO POSSE DO MUNDO! [Verse 2: Beat desce para half-time, percussão na madeira, clima denso de emboscada] Hécate acende a tocha na curva da encruzilhada, Fareja o medo dos homens antes da madrugada. Tentaram quebrar os dentes de quem não pede favor, Mas EU transformei o luto no Meu cobrador. Não choro por primavera que já nasceu traição, A geada é fria, não tem redenção. Segure SEU teto quando o inverno cair, Porque a matilha tá solta, EU FIZ A FERA fugir! [Pre-Chorus: Palmas secas em contratempo, coro entra marcial e grave] Rasguei o linho, pisei no espinho! Nenhum falso pai fecha o meu caminho! Comi a semente com gosto de fel: A minha coroa não deve pro céu! [Chorus: EXPLOSÃO ANCESTRAL. Todos os tambores batendo juntos. Coro em coro gritado/cantado] EU SOU O FILHO SELVAGEM QUE O BREU NÃO DOBROU! E COMO PERSÉFONE QUE O TRONO TOMOU! NÃO ACEITO MIGALHAS E EXIJO BANQUETE A MINHA PALAVRA O HADES DOMOU! (Coro: Salve a fera! Dona da noite!) A terra partiu, o sangue ferveu: O cetro da sombra agora é meu! [Bridge: O beat CORTA NO SECO. Silêncio tenso. Apenas o respirar pesado da fera] [Whispered: Sibilante, próximo, cortando de um fone pro outro] Orfeu perdeu o rumo porque teve medo do escuro. Ela encarou o capeta, EU CORTEI A CABEÇA PRA ENFEITAR MEU ESCUDO. (Vocalize agudo e rasgado rasgando o fundo: Aaaaaah-oooh!) [Final Chorus: Intensidade máxima, tambores tribais no talo, distorção ríspida] PERSÉFONE! O MUNDO DE VIDRO RACHOU! PERSÉFONE! O TRIBUNAL DA NOITE FECHOU! COMO ELA NÃO VOLTO PRO ALTO PRA VIVER DE MIGALHA, DO INFERNO VOLTO COROADO, A JUSTIÇA NÃO FALHA! (Choir: A terra tremeu! O trono é dela!) O ciclo fechou, a terra engoliu! CONQUISTOU O INFERNO E COM A COROA SUBIU! [Outro: O ritmo vai desacelerando como passos lentos se afastando na pedra] [Spoken Word: Voz masculina, SUAVE, ANGELICAL, autoritária, olhando no olho] A Catábase encerrou. Dominei o território. Ganhei a chave da porta e tenho o coração do Deus na mão. Agora... chorem o inverno. E esperem pelo estrago... da MINHA Apoteose. [SFX: Som colossal de uma laje de pedra e ferro trancando o abismo — CLANG-THUD!] [Fade out no eco absoluto] [End]