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CAPITALISMO EM NOME DE DEUS 1

Estrofe 1 Vendi-me um Cristo dono de empresas, Com cifras no altar e dividendos. Chamaram “bênção” as grandes fortunas, E os pobres? Eram erros ou desmandos. Estrofe 2 A cruz virou logotipo sagrado, Do templo ao banco, tudo bem-vestido. Teólogos brindando ao mercado, Com versículos sobre o “merecido”. Estrofe 3 Mas o Jesus que lia nas Escrituras Andava ao lado de quem não tinha nada. Falava contra injustas estruturas, E em sua boca a fome era sagrada. REFRÃO Ó Deus que habita o campo e o cortiço, Rejeitas tronos, bajulando o chão. Tu me tiraste do engano submisso, E me chamaste à tua revolução. Estrofe 4 Não cabe o Cristo em cifras e planilhas, Nem em discursos de meritocracia. Pois seu sermão foi feito nas veredas E sua lei é pão, não heresia. Estrofe 5 Rejeito a fé que prega opressão Com salmos lidos sob o capital. Pois sei que o Reino não tem divisão De castas, lucros, tronos nem mural. Estrofe 6 Ouvi que “Deus ajuda quem trabalha”, Mas Cristo disse: “Ajudem quem cair.” Seu Reino é dom, não é medalha — É mesa farta sem ninguém fugir. REFRÃO Ó Deus que habita o campo e o cortiço, Rejeitas tronos, bajulando o chão. Tu me tiraste do engano submisso, E me chamaste à tua revolução. Estrofe 7 Não quero a teologia do sucesso, Nem quero orar com cálculo e cifrão. Prefiro a cruz, o gesto e o acesso A toda gente feita de perdão. Estrofe 8 E se disserem que estou louco ou cego, Que ignoro o “dom divino de vencer”, Direi: o Cristo que em mim carrego Não se vende — veio pra devolver. PONTE Grato sou pelos que me ensinaram A ver o ouro sem ser seu refém. Mas muito mais por quem me mostraram Que o Rei dos reis veio como ninguém. REFRÃO Ó Deus que habita o campo e o cortiço, Rejeitas tronos, bajulando o chão. Tu me tiraste do engano submisso, E me chamaste à tua revolução. REFRÃO FINAL Feliz estou por crer no amor que invade, Sem preço, sem contrato, sem barganha. O teu amor é pura liberdade, É pão partido em toda a campanha.