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PRÓLOGO: HELENA

V6

[Intro: Lighter flicking in the dark. Slow warm exhale close to the mic. Continuous muffled 808 sub-bass pulse at 70 BPM] [Spoken Word: Smooth agile male tenor, breathy close-mic, intimate and sharp, pop-soul delivery] Vocês chamaram o meu tesão de pecado... E eu fiz do meu corpo a única missa onde vocês queriam comungar de joelhos. Eu fui o rei da pista. O dono da ordem. A boca que manda, o quadril que dita a cadência, o estalo na carne que fazia o macho mais marrento engolir o orgulho e pedir mais uma dose. Vesti a máscara do cafajeste de luxo, transformei a saliva em moeda cara e ri na cara de cada hipócrita que tentou policiar a minha fome. Porque gozar sem pedir licença... porra, sempre foi revolução. [Transition: Sub-bass drags with pitch wobble, chains sliding on concrete] [Spoken Word: Breathy high-tenor register, vulnerable, clear pronunciation] Só esqueceram de me avisar onde a armadilha fechava. O feitiço não erra o endereço: ele cobra a hospedagem. Eu brinquei de ser o dono da coleira, mas a coleira apertou no meu próprio pescoço. Eu zoei o amor, chamei de puta, botei preço no lençol... e quando dei por mim, tava trancado no quarto que eu mesmo aluguei. Olha pra essa cela. A grade tá enferrujada. A porta tá escancarada. Nenhum carcereiro segura meu braço. Mas eu não consigo sair. Porque a ausência da tua pele queima mais do que a tua traição. Porque o vício na tua boca virou o ar desse cativeiro. [Tense pause: Short breath, audible catch in throat] [Spoken Word: Slower, airy, fragile yet commanding tenor] Helena não é só o brilho do ouro na virilha. Helena é a vertigem da queda livre. É a carne que aprendeu que desejar é ser livre... mas se entregar... se entregar é correr o risco de virar prisioneiro da própria fome. A noite acabou. O suor secou frio na pele. E agora que o prazer me desmontou por inteiro... quem é que governa esse resto de homem? [Sudden Stop: Sub-bass cuts immediately, absolute digital silence for 1 second] [Spoken Word: Intimate airy whisper right into the ear] Passa a régua. A Lapa tá me chamando na encruza. [Outro Foley: Dry sharp echo of a boot heel striking wet asphalt. Abrupt cut] [End]