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O Regresso Dos Que Nunca Foram

[Verso 1] Subo no fio do teleférico vejo o Tejo a rir de mim camisola velha da faculdade e um crachá que diz “2000 e qualquer coisa” assim Reencontro caras meio iguais rugas novas, o mesmo “então?” alumni de um tempo suspenso que jurou crescer sem ter razão [Refrão] É o regresso dos que nunca foram ficámos sempre aqui, na canção debaixo da pala, fim do mundo ao fundo a brindar Abril, copo na mão É o regresso dos que nunca foram a chamar o passado pelo nome Lisboa a girar, nós a fazer figuras e a fingir que isto tudo é de enorme [Verso 2] Altice lá atrás a piscar shows marcados num letreiro azul tu contas-me a vida em três frases “dois miúdos, pouco tempo, mesmo tudo” Um bolo torto na esplanada parabéns cantado fora de tom aniversário de quem sobreviveu às cadeiras, às noites, ao sermão [Refrão] É o regresso dos que nunca foram ficámos sempre aqui, na canção debaixo da pala, fim do mundo ao fundo a brindar Abril, copo na mão É o regresso dos que nunca foram a chamar o passado pelo nome Lisboa a girar, nós a fazer figuras e a jurar que isto tudo é enorme [Ponte] E se amanhã cada um voltar ao seu lugar fica esta fotografia torta neste chão molhado de ficar [Refrão] É o regresso dos que nunca foram mesmo quando a vida nos levou debaixo da pala, o céu a cair Portugal inteiro num “já passou” É o regresso dos que nunca foram alumni de um país em abril teleférico a cruzar o futuro e nós a rir, que isto nunca tem fim (hey!)