(estrofe 1) Eu volto pelas estradas que um dia percorri, Revejo velhas paisagens que ainda guardo em mim; Cada curva me devolve algum tempo já distante, E a memória abre a porta de um caminho viajante. (estrofe 2) Havia visitas, encontros, parentes para abraçar, E lugares conhecidos que eu gostava de contemplar; Uma casa, uma varanda, uma praça, um quintal, Hoje vivem na lembrança com encanto especial. (estrofe 3) Eu lembro das paisagens vistas pela janela, Do céu mudando de cores, da estrada longa e bela; O destino era importante, mas não era tudo, Pois cada trecho da viagem construía meu mundo. (estrofe 4) Algumas viagens tinham gosto de descoberta, Com a expectativa alegre de uma chegada incerta; Eu levava meus pequenos sonhos para passear, Sem saber que muitos deles comigo iriam ficar. (refrão) Tenho saudades de mim nas viagens da memória, Das estradas, dos lugares, de cada antiga história; Dos parentes, das paisagens, dos caminhos que vivi, Tenho saudades de quem eu era quando por eles parti. (estrofe 5) Havia o movimento alegre de sair de casa, E a viagem transformava cada hora numa brasa; O caminho era conversa, expectativa e atenção, E o tempo parecia lento diante da emoção. (estrofe 6) Alguns lugares retornam sem precisar retornar, Basta uma lembrança para novamente os visitar; Uma paisagem esquecida pode o passado despertar, E uma estrada já distante pode ainda me encontrar. (estrofe 7) Hoje muitas dessas cenas já não posso repetir, Algumas pessoas mudaram, outras deixaram de existir; Mas aquilo que foi vivido não desaparece por inteiro, Pois a memória conserva o que o tempo fez passageiro. (refrão) Tenho saudades de mim nas viagens da memória, Das estradas, dos lugares, de cada antiga história; Dos parentes, das paisagens, dos caminhos que vivi, Tenho saudades de quem eu era quando por eles parti. (estrofe 8) A memória não devolve exatamente o que passou, Mas reúne os fragmentos daquilo que restou; Ela muda certos detalhes, acrescenta alguma cor, Mas preserva em suas dobras a presença de um amor. (estrofe 9) Hoje viajo sem sair do lugar onde estou, Pois cada recordação outro caminho me mostrou; E percebo que a distância não consegue apagar Os lugares onde um dia aprendi a contemplar. (estrofe 10) Se eu pudesse novamente aquelas estradas percorrer, Talvez olhasse diferente para tudo que pude viver; Mas prefiro agradecer pelo que a vida me concedeu, Pois cada antiga viagem também construiu quem sou eu. (ponte) Lamento as vezes em que deixei de recordar, Quando achei que o passado era melhor abandonar; Esqueci que certas viagens ainda moravam em mim, E que lembrar também pode ser um modo de recomeçar. (refrão) Tenho saudades de mim nas viagens da memória, Das estradas, dos lugares, de cada antiga história; Dos parentes, das paisagens, dos caminhos que vivi, Tenho saudades de quem eu era quando por eles parti. (ponte) E lamento outra cegueira que por tanto tempo sustentei, Confundindo com o Deus de Jesus aquilo que antes recebi; Defendi como sendo o Pai amoroso o retrato que Moisés recebeu, Sem perceber quanto o próprio Evangelho outro rosto revelou. (refrão) Tenho saudades de mim, mas hoje quero compreender, Que até minhas convicções precisaram amadurecer; As viagens da memória também me fizeram perceber Que buscar sinceramente a verdade é também crescer. (refrão final) Hoje eu amo quem eu sou e agradeço o que vivi, Escolho ser alegre com os caminhos que percorri; Se a tristeza vier, terá seu tempo para existir, Eu me amo, sigo em frente e ainda escolho sorrir. (refrão final) Hoje eu descanso em Jesus, Deus de amor verdadeiro, Nele encontro acolhimento, sem medo e sem roteiro; E jamais, por motivo algum, farei do amor uma exceção: Se Jesus revela Deus, o amor é sua expressão.