
[Intro: Heavy vinyl crackle, warped and detuned Rhodes piano chords. Filtered low-pass audio, muffled and claustrofóbico] (Som de uma pá cravando na terra seca. Respiração pesada, colada no microfone) Acordo e não sei que porra de dia é hoje... Nem por que diabo de motivo eu insisti em abrir o olho. [Verse 1: Low-pass filter opens abruptly to bright, crisp mix. Enter heavy, dragging boom-bap drums. Extremely dry close-mic vocal] Os dias se misturam feito tinta barata na água, Um looping infinito de cinza, rotina e mágoa. Navego num mar de concreto onde nunca ancorei, Sem mapa, sem norte, sem porra nenhuma... eu sei. Tô no cativeiro pagando o aluguel do meu próprio inferno, Mantendo a fachada intacta enquanto o gesso cai pro inverno. Um robô funcional que responde mensagem em looping, Gastando o resto do fôlego pra fingir que tá vivo. [Pre-Chorus: Sharp percussive metallic snaps enter. 808 sub-bass starts to hum, creating massive low-end tension] Eu cansei de performar o herói pra quem quer ver o meu fim, Cansei de limpar o terreno pra quem cospe em mim. Olha a rachadura na viga, olha o cimento cedendo... O plano diretor da minha vida tá se corrompendo. [Chorus: MASSIVE DROP. The distorted 808 sub-bass slides explode, vibrating the chest cavity. Gothic vocal triads building a wall of sound] Eu FUI o coveiro de mim mesmo! Enterrando cada versão de quem não precisava ser! No cemitério do "um dia", adubando esse solo com sangue Pra uma nova versão de mim nascer! Eu sou o coveiro de mim mesmo, caralho! Segurando pá e enchada, cavando o meu próprio chão... E o silêncio que ficou depois que a minha casa caiu... É a fundação da minha reconstrução! [Verse 2: Drums drop out, leaving only a thick, dirty electric bassline and fast, anxious trap hi-hats. Rhythmic rap cadence] Lá fora as hienas de plantão tão medindo o meu caixão, Especulação imobiliária em cima da minha depressão. O "Ken de plástico" riu, achou que eu ia virar entulho, Que o abuso narcisista ia soterrar meu orgulho. Mas mal sabe o voyeur que tá espiando a minha queda... Que o lixo reciclo em trono e a minha carne não tá à venda. Eu lixo a minha pele pra arrancar o teu contágio, Cada lágrima que eu derrubei virou pedágio. [Bridge: Cut all drums and bass. Absolute negative space. Lonely, melancholic piano echoing in stadium-reverb. ASMR whisper vocal] (Sussurro ríspido, seco) Você achou que me deixou na ruína, né, mermão? Acharam que eu tava quebrado, chorando no chão... (Risada curta, debochada e sem alegria) Se liga... eu tava só batendo a laje do meu novo império. Pode segurar a vela... o teu reinado virou cemitério. [Chorus Final: Double explosive drop. Full industrial noise mixed with the trap groove. High tenor vocal belting and ad-libs in the background] Eu fui o coveiro de mim mesmo! Enterrando todo aquele que me fazia morrer! No cemitério do "um dia", adubando o solo com o sangue deles Pra eu poder renascer! Eu sou o coveiro de mim mesmo, caralho! Segurando á e enchada, cavando o meu próprio chão... E o silêncio que ficou depois que a minha casa caiu... É a fundação da minha reconstrução! [Outro: Speed slows down. Heavy atabaque polyrhythm slowly blending in with the fading electronic beat. Low-pass filter closes back] Saluba Nanã... o barro tá secando Tijolo por tijo-lo... Trauma por trau-ma... Fazendo o retrofit da porra da minha alma. [SFX: Som da pá batendo no concreto seco] Acabou a obra. [SFX: Sound of a heavy iron door slamming shut and locking from the inside. Complete silence] [End]


