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FIM DO SHOW (SEM BIS)

V6

[Intro] [Linha de baixo industrial saturada, arranhando como serra elétrica em ferro frio. Estalos secos de dedos com reverb reverso. Atmosfera claustrofóbica] [Vocal falado bem colado na cápsula do mic, sem reverb, sussurro ríspido, saliva audível] Hoje eu não bato boca. Eu giro a tranca e jogo a chave no ralo. Você ensaiou esse teatro a vida inteira, né? [Risada curta, sem humor] O ingresso era caro demais pra assistir tanta mediocridade. A luz acendeu, palhaço. Desce do palco. [Verse 1] [Staccato agressivo, flow métrico e cortante, cada sílaba cai seca no contratempo da caixa] Cortei o teu monólogo no meio da frase, Cansado de engolir a tua encenação de quase. Você não dava amor, você dava esmola, Cobrando reverência a cada segundo de fala. As risadas que demos? Farsa de auditório. Nossa cama nunca foi abrigo, era meu purgatório. Me chamou de exagero pra esconder tua miséria, Mas tua covardia, meu bem, é a única coisa séria! Me dopou de silêncio achando que eu mofava, Enquanto tua vaidade podre no escuro babava. O teu "cuidado" era só cabresto e censura: Tentou me amputar pra caber na tua loucura! [Pre-Chorus] [A bateria é cortada por um glitch digital. Fica apenas um pulso de sub-grave ensurdecedor e sirenes distantes] [Vocal dobra com pitch distorcido, crescendo a tensão] Você abriu a boca podre pra cuspir covardia: Disse que pra gente como a gente o amor nunca existiria? 3, 2, 1... ENGASGA NO TEU VENENO! [Chorus] [EXPLOSÃO! Distorção industrial máxima, kicks socando o peito, ruído metálico estalando] [Vocal berrado com autoridade, rasgando o peito, dobrado em oitavas] VOCÊ DISSE QUE "NÃO EXISTE AMOR ENTRE DOIS HOMENS"! Mas o que não existe é alma onde tua luxuria te consome! Teu afeto é focinheira, tua carícia foi minha algema, Você não queria um parceiro, queria um emblema! Olha bem pro teu espelho, engole teu troféu: Teu afeto de mentira é amárgo como fel! Palmas pro teu show, até que me entreteu... MAS O TEATRO FALIU E A CONTA TÁ PAGA, PORRA! [Verse 2] [Entra um groove sincopado, sujo, cínico, estilo soco no estômago] [Vocal debochado, quase rindo na cara do sujeito] Mestre dos espelhos, falsificador de reflexo, Tua moral de vitrine não aguenta o contexto. Fugia pra sarjeta, sumia na madrugada, E voltava com cara de santo da vida errada. Eu tremia de pânico com a tua ausência imunda, Até sacar que tua presença era a minha própria tumba! O alívio da volta era ressaca de fel: Você vendia o veneno fingindo que era mel. Tua chantagem de silêncio não me dobra mais, otário: Quem tem fome de verdade não se alimenta de amor imaginário! [Pre-Chorus] [A bateria é cortada por um glitch digital. Fica apenas um pulso de sub-grave ensurdecedor e sirenes distantes] [Vocal dobra com pitch distorcido, crescendo a tensão] Você abriu a boca podre pra cuspir covardia: Disse que em gente como a gente o amor nunca existiria? 3, 2, 1... ENGASGA NO TEU VENENO! [Chorus] [EXPLOSÃO! Distorção industrial máxima, kicks socando o peito, ruído metálico estalando] [Vocal berrado com autoridade, rasgando o peito, dobrado em oitavas] VOCÊ DISSE QUE "NÃO EXISTE AMOR ENTRE DOIS HOMENS"! Mas o que não existe é alma onde tua luxuria te consome! Teu afeto é focinheira, tua carícia foi minha algema, Você não queria um parceiro, queria um emblema! Olha bem pro teu espelho, engole teu troféu: Teu afeto de mentira é amárgo como fel! Palmas pro teu show, até que me entreteu... MAS O TEATRO FALIU E A CONTA TÁ PAGA, PORRA! [Bridge] [Corte súbito! Silêncio brutal. Apenas um drone grave zunindo no ouvido esquerdo e o clique mecânico de um revólver ou isqueiro] [Vocal extremamente intimista, seco, voz crua, sussurrada com asco genuíno] O Oscar de lixo do ano vai pro teu camarim. Você jurava que eu ia morrer no teu jardim de plástico... Que eu ia implorar pra ser a plateia da tua decadência. [Pausa de 1 segundo] Que erro pa-té-ti-co. Eu não amo fantasma. E você... Você nem fantasma é. É só o vácuo de um cadáver que fede a medo. [Chorus Final] [CATACLYSM! Todo o instrumental colide de uma vez, synths chiando no limite do clipping, percussão de sucata industrial] [Vocal rasgado no limite absoluto da voz, violento e triunfante] NÃO EXISTE AMOR?! NÃO NA TUA CARNE PODRE! Onde tua homofobia rasteira te consome e te fode! SEU AFETO É COLEIRA, TUA VAIDADE É UM CANCRO! Cê queria uma plateia pra aplaudir o teu papel de santo! Eu não perdi porra nenhuma, descartei o entulho: O teu castigo agora é engolir o meu orgulho! A cortina caiu, o cenário ardeu no chão: A SESSÃO TÁ ENCERRADA, ENGOLE A TUA ESCURIDÃO! [Outro] [Batida seca, parando abruptamente a cada frase com uma chicotada de caixa metálica] [Vocal gélido, sem pressa, sem lágrima] O show acabou. [SNAP metálico] Recolhe tua maquiagem. [SNAP] Tua platéia morreu com teu veneno. [SNAP] Nada te devo. [SNAP] [Pausa total de 2 segundos] Luz de serviço acesa. Limpa a sala. [Som de disjuntor industrial desligando de uma vez] [Silêncio mortal]