
(estrofe 1) Ser compassivo é perceber no olhar cansado Uma história que ninguém quis escutar. É notar no silêncio apertado Um pedido que não soube se pronunciar. (estrofe 2) É caminhar além da própria pressa, Quando alguém tropeça na própria dor. É deixar que a vida se atravesse Pelo chamado discreto do amor. (estrofe 3) Ser compassivo é não medir distâncias Quando a miséria humana aparece. É reduzir fronteiras e circunstâncias Que o coração sensível reconhece. (estrofe 4) É inclinar-se como árvore no vento, Oferecendo sombra a quem se perdeu. É transformar o gesto em acolhimento Quando o mundo inteiro já esqueceu. (refrão) Compaixão é ver, sentir e agir, Sem esperar aplauso ou gratidão. É deixar o próprio amor florir Nas feridas do irmão. (estrofe 5) Ser compassivo é ser rio generoso Que se desdobra para irrigar o chão. É permitir que o cuidado silencioso Se derrame em forma de ação. (estrofe 6) É reconhecer no outro a mesma essência Que pulsa frágil em qualquer viver. É transformar empatia em presença Que ajuda o outro a se reerguer. (estrofe 7) Ser compassivo é romper indiferenças, Que endurecem o curso do olhar. É trocar distância por presenças Que aprendem juntas a caminhar. (refrão) Compaixão é ver, sentir e agir, Sem esperar aplauso ou gratidão. É deixar o próprio amor florir Nas feridas do irmão. (estrofe 8) É perceber que toda dor humana Pode um dia tocar nossa estação. E que a bondade simples e cotidiana Reconstrói pedaços do coração. (estrofe 9) Ser compassivo é semear cuidado Mesmo quando o solo parece árido. É fazer do gesto dedicado Um caminho humano e sólido. (estrofe 10) É permitir que o amor se movimente Como vento suave a soprar. E fazer da vida, humildemente, Uma razão concreta para cuidar. (refrão) Compaixão é ver, sentir e agir, Sem esperar aplauso ou gratidão. É deixar o próprio amor florir Nas feridas do irmão.

