
É fácil ser bom entre os bons. Mas na condução da vida, onde os desafios se revelam, a luz que desejamos às vezes falha, e a aura perde sua cor. É fácil ser bom entre os bons. Mas que espelho oferecemos ao mundo? Nem sempre as palavras caminham ao lado das ações. É fácil ser bom entre os bons. Enquanto sigo, vou mudando de arquitetura interna: umas estruturas grandiosas, outras pequenas, todas apenas espaços que podem acolher ou afastar quem por elas passa. É fácil ser bom entre os bons. Mas que pegadas queremos deixar no mundo? Que construções levantamos? De que orgulhos nos nutrimos? É fácil ser bom entre os bons. Quero ver a bondade na adversidade, nas curvas incertas, nas trevas que às vezes tocam a vida. Porque, conforme amadurecemos, é que decidimos qual tipo de “bom” desejamos ser não o que brilha apenas na clareza, mas o que se mantém firme no íntimo da escuridão.

