
Rapsódia do Olimpo
[Intro] Junho a cair devagar no adro e o céu a abrir os seus braços fechamos o livro em ouro e brasa com o Olimpo inteiro nos passos [Verse 1] São João bateu à porta do alto com manjericos nas mãos Disse: se Santo António sobe então também eu tenho razão Trouxe uma marcha de festa um riso de fogo e poço e pediu lugar no trono com a noite presa ao pescoço [Chorus] Olimpo de Portugal ouve o povo e o sino Olimpo de Portugal faz do chão destino Junho fecha o seu sinal e a alma fica em cima Olimpo de Portugal guarda-nos a rima [Verse 2] São Pedro olhou do lado do mar com a chave a brilhar devagar e respondeu, meio sério, meio santo: não sobes só por saberes cantar Mas viu o arraial na testa do povo viu o fogo, o pão, a mão, a voz e calou-se um instante no limiar porque o céu também cabe em nós [Chorus] Olimpo de Portugal ouve o povo e o sino Olimpo de Portugal faz do chão destino Junho fecha o seu sinal e a alma fica em cima Olimpo de Portugal guarda-nos a rima [Verse 3] Reue veio com trigo na cintura e dedos de terra molhada Onde pisa, o campo responde e a semente acorda de madrugada Trono repetido, mesa antiga mas a seiva não se cansa Ela passa e a vida acontece como quem benze a abundância [Verse 4] Abna surgiu de entre os ramos de ventre cheio de claridade Deusa da Fertilidade, disse e a noite inclinou a cidade Trono repetido, luz que volta mãe do fruto, mão da seara onde ela pousa, o mundo cresce e a fome perde a cara [Chorus] Olimpo de Portugal ouve o povo e o sino Olimpo de Portugal faz do chão destino Junho fecha o seu sinal e a alma fica em cima Olimpo de Portugal guarda-nos a rima [Verse 5] Trebaruna entrou de escudo erguido com o peito feito de clarão Deusa da guerra e da justiça pôs ordem na confusão Não quer vingança nem grito cego quer a balança a firmar o ar e quando o medo sobe ao estrado é ela que manda endireitar [Verse 6] Aetio veio com a lei nos ombros e a voz limpa de tribunal Não vendeu o peso da verdade nem trocou honra por sinal Entre golpe e sentença fez do justo a sua bandeira e no chão riscado do reino pôs a rectidão primeira [Chorus] Olimpo de Portugal ouve o povo e o sino Olimpo de Portugal faz do chão destino Junho fecha o seu sinal e a alma fica em cima Olimpo de Portugal guarda-nos a rima [Verse 7] Crougai veio do fundo do fundo onde o nome perde o calor Submundo a abrir a sua boca como pedra, sombra e rumor Mas não trouxe só o fim trouxe a passagem, a ponte, o peso porque até nas casas de baixo há um destino preso ao mesmo avesso [Verse 8] E lá no meio da relva e do barulho o mundo entrou no nosso altar Primeiro jogo: empate com cheiro a vitória golo anulado a rasgar Foi quase o salto, foi quase a glória quase a mão no céu sem cair e o Olimpo disse baixinho ao peito: ainda falta mais um vir [Verse 9] Segundo jogo: cinco a zero no peito como maré a entrar sem pedir Portugal inteiro em marcha funda e o Olimpo a ver-nos subir Cinco golpes, cinco flores cinco vezes o mesmo trovão quando a equipa fez do campo uma extensão do coração [

