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INFÂNCIA CREDULAMENTE SANTA 2

Estrofe 1 Nasci no ventre cálido do crer, Onde o mistério era pão cotidiano, E mesmo sem poder compreender, Meu coração sorvia o sobre-humano. Estrofe 2 A voz da prece, o gesto repetido, A Bíblia aberta em Salmos sempre iguais, Fazia do domingo um céu ungido Por anjos simples, santos ancestrais. Estrofe 3 As mãos que oravam sobre minha fronte Unjiram-me com fé antes da dúvida, E cada "amém" brilhava feito monte Que a alma sobe sem saber a subida. REFRÃO Ó Deus que usas o silêncio e a criança, Que falas pela mãe, pelo coral, Obrigado por ser luz na esperança Que molda o ser antes do racional. Estrofe 4 Fui folha em branco no altar da infância, E tudo o que me deram absorvi. A fé não tinha nome nem distância, Era o perfume da alma que eu senti. Estrofe 5 A fé era o "sim" dado sem demora, Era o hino que enchia o coração. Era Jesus chegando a qualquer hora E eu, menino, crendo em salvação. Estrofe 6 Pastores, tias, vovós e missionárias, Foram os sábios da minha alvorada. Com suas mãos vazias, visionárias, Deram-me um céu na infância iluminada. REFRÃO Ó Deus que usas o silêncio e a criança, Que falas pela mãe, pelo coral, Obrigado por ser luz na esperança Que molda o ser antes do racional. Estrofe 7 Mas não sabia o porquê de crer, Nem que um dogma é feito de contexto. Somente cria: "Deus quer me acolher!" E isso bastava, mesmo sem o resto. Estrofe 8 Hoje entendo o que antes só sentia, E bendigo os pilares inocentes. Foi sobre a areia pura da alegria Que Deus ergueu meus passos conscientes. PONTE Bendito seja o templo e seus cuidados, Os rostos que me ungiram com ternura, Os livros, os irmãos consagrados, Que sem saber, plantaram minha estrutura. REFRÃO Ó Deus que usas o silêncio e a criança, Que falas pela mãe, pelo coral, Obrigado por ser luz na esperança Que molda o ser antes do racional. REFRÃO FINAL Feliz sou por saber que és só bondade, Que és mais que culto, norma ou devoção. Amar é Teu eterno modo e verdade, E a luz que em mim acende o Teu clarão.