(estrofe 1) Quando o poente veste o céu de dourado, E a tarde repousa no colo do chão, O sabiá desperta em seu velho ramado, Derramando acordes em doce canção. (estrofe 2) Não busca aplausos nem fama passageira, Nem canta para conquistar poder; Transforma o entardecer em mensageira Da paz que ensina a bem viver. (estrofe 3) Cada nota desliza como água serena, Beijando as folhas do velho pomar; É música simples, mas sempre pequena A distância que vence ao ecoar. (estrofe 4) As árvores parecem prender a respiração, Enquanto o vento reduz seu caminhar; Pois toda a natureza entra em comunhão Quando o sabiá principia a cantar. (refrão) Ó sabiá de tão doce voz, Poeta alado do entardecer, Ensina que a beleza vive em nós Quando aprendemos a agradecer. (estrofe 5) O riacho acompanha a melodia, Levando seus versos ao vale florido; E o sol, já cansado do longo dia, Despede-se em brilho enternecido. (estrofe 6) As flores recolhem o último perfume, As abelhas regressam ao seu lugar; E o canto se espalha qual manso lume, Ensinando o silêncio a também cantar. (estrofe 7) Não há instrumento de ouro ou prata, Nem palco coberto de esplendor; A copa verde da simples mata É suficiente para tanto louvor. (refrão) Ó sabiá de tão doce voz, Poeta alado do entardecer, Ensina que a beleza vive em nós Quando aprendemos a agradecer. (estrofe 8) Quem ouve atento seu breve concerto Descobre riquezas que o mundo não vê; Há versos brotando no campo aberto Que nenhuma escrita consegue conter. (estrofe 9) O crepúsculo fecha devagar o horizonte, Acendendo estrelas na imensidão; Mas o sabiá permanece qual fonte, Regando de paz o coração. (estrofe 10) E ao voltar da floresta encantada, Trouxe comigo uma eterna lição: A vida se torna mais iluminada Quando canta com gratidão. (refrão) Ó sabiá de tão doce voz, Poeta alado do entardecer, Ensina que a beleza vive em nós Quando aprendemos a agradecer.