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Sexta-Feira Santa

[Verso 1] Sexta santa outra vez Mas este ano o céu calou Esgotou-se a chuva em março E ninguém reparou Já pregam o corpo ao madeiro Sem uma nuvem a tremer Matam Cristo em horário nobre E mudam de canal sem ver [Refrão] Se até o céu secou Diz-me o que resta Quando a dor desce à cidade e ninguém quer saber Já nem o vento vem levar a festa Eu fico em casa a perguntar como é que isto pode ser Como pode o mundo ser tão cruel? Como pode o mundo ser tão cruel? [Verso 2] Já se orbitam luas frias Mesmo com falhas no sistema Mandam foguetes ao vazio E eu aqui fechada A suster o dilema Na Páscoa tenho pena Não é de mim É de nós Da pressa Da pressa cega Que abafa qualquer voz (hey) [Refrão] Se até o céu secou Diz-me o que resta Quando a dor desce à cidade e ninguém quer saber Já nem o vento vem levar a festa Eu fico em casa a perguntar como é que isto pode ser Como pode o mundo ser tão cruel? Como pode o mundo ser tão cruel? [Ponte] Eu nem saí à rua Talvez por medo de ver Os ramos As palmas A luz nas varandas E ninguém a entender Se o céu não chora Choro eu De cortina semi‑aberta Num mundo que aplaude o espetáculo Sem perceber a perda [Refrão] Se até o céu secou Diz-me o que resta Quando a dor desce à cidade e ninguém quer saber Já nem o vento vem levar a festa Eu fico em casa a perguntar como é que isto pode ser Como pode o mundo ser tão cruel? Como pode o mundo ser tão cruel?