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COMPRA DE POLÍTICOS E INFLUÊNCIA

(estrofe 1) Contaram um Cristo vestido de palanque, com Bíblia na mão e contrato no bolso, misturaram o púlpito ao caixa do banco, e chamaram barganha de zelo piedoso. (estrofe 2) O voto virou moeda ungida em envelope, a fé, um discurso com preço tabelado, orações passaram a ter sobrenome, e a consciência virou bem negociado. (estrofe 3) Pastores aprenderam a falar por siglas, altares treinaram slogans e sinais, quem compra influência não pede silêncio, exige lealdade nos atos finais. (refrão) Não era o Reino que Jesus anunciou, não era o caminho que o amor desenhou, quando a fé faz campanha e vende perdão, a cruz perde o centro e vira balcão. (estrofe 4) Promessas celestes selaram alianças, a política ganhou verniz sagrado, quem discordou foi chamado de ímpio, e o diálogo virou pecado velado. (estrofe 5) O pobre virou plateia eleitoral, o templo, comitê em dia de eleição, orações pediam vitória nas urnas, não justiça, nem reparação. (refrão) Não era o Reino que Jesus anunciou, não era o caminho que o amor desenhou, quando a fé faz campanha e vende perdão, a cruz perde o centro e vira balcão. (estrofe 6) Cristianismo contado como estratégia, onde o púlpito mede poder por alcance, quem paga dita a moral do discurso, e a verdade aprende a dançar conforme o lance. (estrofe 7) Mas ainda há um Cristo fora do acordo, sem partido, sem caixa, sem dono algum, que expulsa do templo o comércio da alma e devolve à democracia o seu jejum. (refrão) Não era o Reino que Jesus anunciou, não era o caminho que o amor desenhou, quando a fé se vende ao jogo do poder, é Deus quem se retira para não corromper.