
(estrofe 1) Ela não avisa quando vem, apenas quebra o que era chão, mostra que o humano, também, carrega falhas na intenção. (estrofe 2) A expectativa, antes erguida, racha no gesto que não foi, e a confiança, tão querida, descobre o limite do herói. (estrofe 3) Não é maldade sempre ativa, às vezes é só imperfeição, a fratura humana é viva na carne frágil da relação. (refrão) Quando a decepção chega, eu fico, não abandono meu querer, aceito o humano como é, não mito, e escolho ainda viver. (estrofe 4) Aprendo que ninguém sustenta o papel que idealizei, pois toda alma é tentativa de ser melhor do que já foi. (estrofe 5) A queda do outro me revela o excesso da minha projeção, quem espera pureza eterna desconhece o coração. (estrofe 6) Ser alegre aqui é coragem, não negar a frustração, é atravessar a paisagem sem endurecer a mão. (refrão) Quando a decepção chega, eu fico, não abandono meu querer, aceito o humano como é, não mito, e escolho ainda viver. (estrofe 7) A decepção limpa os excessos, derruba falsas alturas, ensina que amar de perto inclui tropeços e rupturas. (estrofe 8) Não me retiro da alegria porque alguém falhou comigo, pois a dor não tem soberania sobre o que escolhi ser vivo. (ponte) Lamento os dias em que fugi, fechei-me amargo, defensivo, por não sustentar a alegria quando o outro não foi como eu queria. (refrão) Quando a decepção chega, eu fico, não abandono meu querer, aceito o humano como é, não mito, e escolho ainda viver. (refrão final) Hoje eu me amo sem ilusão, alegre mesmo ao sofrer, reconheço a fratura da condição e ainda assim decido viver.

