(estrofe 1) Do alto da serra desce cantando, A cascata veste o penhasco de luz, Transforma a altura em caminho brilhando, E segue o destino que a água conduz. (estrofe 2) Não teme o abismo que surge adiante, Nem mede a distância que irá percorrer, Pois carrega consigo a alma vibrante De quem nasceu livre para correr. (estrofe 3) O sol em seus fios derrama diamantes, Mil gotas dançando no ar matinal, Como estrelas fugindo por breves instantes Do vasto silêncio celestial. (estrofe 4) A pedra resiste em seu velho posto, Mas a água persiste sem se cansar, Mostrando que a força nem sempre é um rosto Que impõe sua vontade para triunfar. (refrão) Ó cascata descendo em alegre esplendor, Transformando a queda em canção natural, Ensina que a vida revela valor Quando faz do movimento seu ideal. (estrofe 5) Nas margens crescem samambaias serenas, Bebendo a umidade do seu coração, Enquanto borboletas pequenas Celebram no vento sua inspiração. (estrofe 6) Cada curva desenha uma nova pintura, Cada salto inventa um novo clarão, Como quem descobre que a própria aventura Também pode nascer da transformação. (estrofe 7) Ao tocar o lago que espera embaixo, A corrente se espalha em suave frescor, Provando que a queda não é fracasso, Mas passagem para um novo valor. (refrão) Ó cascata descendo em alegre esplendor, Transformando a queda em canção natural, Ensina que a vida revela valor Quando faz do movimento seu ideal. (estrofe 8) Quantos viajantes já pararam diante Da espuma dançando em branca rendição, Sentindo que existe algo de gigante Na simplicidade daquela lição. (estrofe 9) A montanha oferece sua antiga altura, A água responde com criatividade, E juntas compõem uma bela escritura Sobre coragem e adaptabilidade. (estrofe 10) Ao partir daquele cenário encantado, Levei na memória sua revelação: Quem aceita mudar encontra outro lado Da beleza escondida na transformação. (refrão) Ó cascata descendo em alegre esplendor, Transformando a queda em canção natural, Ensina que a vida revela valor Quando faz do movimento seu ideal.