[Intro — órgão subterrâneo, moedas caindo lentamente, respiração próxima] Thiago não queria viver bem. Queria olhar para quem vivia bem e fazê-los parecer pobres. ... Foi aí que Rofocale apareceu. Não com fogo. Com uma proposta. [Verso 1] Lucifuge chegou de preto sem fazer apresentação Olhou o saldo no aplicativo e perguntou: “Isso é ambição?” Thiago riu. “Isso é o começo.” Rofocale gostou da resposta. Falou de prédios, terras, empresas cofres que não fecham mais Dinheiro velho, dinheiro novo dinheiro fazendo dinheiro enquanto Thiago dorme em paz “Quanto você quer?” “Tudo.” “Tudo quanto?” “Mais.” ... Agora estamos negociando. [Pré-Refrão] Ouro no pulso mármore no chão Sete dígitos viram oito oito viram obsessão Dê um milhão ele quer dez Dê dez ele quer cem Porque quem aprende a amar dinheiro nunca pergunta: “Quanto eu tenho?” Pergunta: “Quem tem mais que eu?” [Refrão] Rofocale, me faz rico rico até perder a conta Quero o cofre transbordando quero o mundo à minha porta Rofocale, eu quero mais ouro, luxo, propriedade Se ganância leva ao Inferno— compra o Inferno e põe no meu nome a escritura. Mais dinheiro. Mais poder. Mais dinheiro. Mais poder. Se existe um preço pra ter tudo— Rofocale, manda a conta. [Pós-Refrão — sussurros sobre baixo pulsante] Um milhão. Dez milhões. Cem milhões. ... Ainda pouco. [Verso 2] Veio o primeiro apartamento depois cobertura e mansão Depois uma casa tão vazia que o eco parecia ostentação Carro preto na garagem outro carro só porque sim Relógio custando uma vida só pra perguntar: “Que horas são pra mim?” Mesa onde ninguém olha preço vinho que ninguém sabe apreciar Gente importante rindo alto porque gente rica sabe concordar Thiago comprou exclusividade depois cansou de ser exclusivo Porque luxo perde a graça quando você descobre que outro filho da puta tem algo mais caro que o seu. [Pré-Refrão] Dê um prédio ele quer a rua Dê a rua ele quer a cidade Dê a cidade ele pergunta: “E o país?” Rofocale não ensinou ganância. Só descobriu que Thiago era um aluno excepcional. [Refrão] Rofocale, me faz rico rico até perder a conta Quero o cofre transbordando quero o mundo à minha porta Rofocale, eu quero mais ouro, luxo, propriedade Se ganância leva ao Inferno— compra o Inferno e põe no meu nome a escritura. Mais dinheiro. Mais poder. Mais dinheiro. Mais poder. Se existe um preço pra ter tudo— Rofocale, manda a conta. [Verso 3 — mais lento, sensual e ameaçador] Depois dinheiro deixou de comprar coisas. Começou a comprar pessoas. Não literalmente. Isso seria vulgar. Comprava tempo. Silêncio. Convites. Acesso. A melhor mesa. A porta fechada. O telefonema atendido antes do segundo toque. O “não” misteriosamente transformado em “vamos conversar”. Thiago percebeu: Dinheiro não precisava comprar felicidade. Dinheiro comprava algo muito mais interessante. Escolha. E escolha suficiente começa a parecer poder. E poder suficiente... começa a parecer Deus. [Interlúdio — órgão cresce] Thiago: “Quero tanto dinheiro que meus filhos não consigam gastar.” Rofocale: “Pouco.” “Meus netos.” “Pouco.” “Meu nome durar séculos.” ... Rofocale sorriu. “Agora você está entendendo.” [Ponte — coral grave, batimentos e moedas] Mas havia sempre alguém. Alguém com mais. Mais patrimônio. Mais influência. Mais portas abertas. Outro zero. Outra empresa. Outro jatinho. Outra cobertura. Outro sobrenome. Outra porra de lista onde Thiago ainda não era o primeiro. Foi então que ele entendeu o verdadeiro presente de Rofocale. Não era ouro. Não era luxo. Não era poder. Era olhar para dez milhões e enxergar vinte. Olhar para cem e enxergar um bilhão. Olhar para um bilhão... e sentir pobreza. [Silêncio] Essa era a maldição. Nunca chegar. [Refrão Final — instrumental colossal, voz baixa e controlada] Rofocale me fez rico rico além do que eu sonhava Cofres, prédios, terras, nomes tudo aquilo que eu comprava Rofocale cumpriu tudo cada cláusula, cada vontade Mas nunca prometeu que dinheiro compraria saciedade Mais dinheiro. Mais poder. Mais dinheiro. Mais poder. Dez milhões. Pouco. Cem milhões. Pouco. Um bilhão. ... Quanto ele tem? [Outro — órgão quase desaparecendo] Thiago olhou a cidade do último andar. Tudo pequeno lá embaixo. Carros. Casas. Pessoas. Parecia que finalmente estava acima de tudo. Então perguntou: “Rofocale... quando eu vou sentir que tenho o bastante?” O demônio colocou uma taça sobre o mármore. Sorriu. “Thiago... se você fosse capaz de sentir isso, eu nunca teria escolhido você.” [Som de moedas caindo] Mais. Mais. Mais. [Sussurro] Nunca o bastante.