Nem todo silêncio acalma,
às vezes ele só grita por dentro.
E esse barulho todo
é só disfarce,
porque o que eu sinto mesmo
é saudade de você. Todo amanhecer chega
trazendo a brisa,
mas também a lembrança
dos nossos dias tortos e vivos.
Com você nada parecia velho,
porque o futuro
nascia enquanto a gente ria. Corridas de carro,
voos de avião,
a pressa boa de quem não queria chegar.
O que importava
não era o lugar,
era o arrepio,
era a sensação de estar junto.
E eu estou mesmo
é com saudade de você. Cachoeiras e Piqueniques, 
o mundo simples fazendo sentido.
Ou entre prédios altos,
onde até o concreto parecia respirar.
Tudo era intenso
porque era com você. Hoje eu entendo:
nada disso sustenta o tempo.
Nem estrada, nem paisagem,
nem altura nenhuma.
O que fica
é esse vazio cheio,
essa ausência que pesa,
esse pensamento que volta
e diz baixinho:
é saudades de você