
Nem todo silêncio acalma, às vezes ele só grita por dentro. E esse barulho todo é só disfarce, porque o que eu sinto mesmo é saudade de você. Todo amanhecer chega trazendo a brisa, mas também a lembrança dos nossos dias tortos e vivos. Com você nada parecia velho, porque o futuro nascia enquanto a gente ria. Corridas de carro, voos de avião, a pressa boa de quem não queria chegar. O que importava não era o lugar, era o arrepio, era a sensação de estar junto. E eu estou mesmo é com saudade de você. Cachoeiras e Piqueniques, o mundo simples fazendo sentido. Ou entre prédios altos, onde até o concreto parecia respirar. Tudo era intenso porque era com você. Hoje eu entendo: nada disso sustenta o tempo. Nem estrada, nem paisagem, nem altura nenhuma. O que fica é esse vazio cheio, essa ausência que pesa, esse pensamento que volta e diz baixinho: é saudades de você

