
Salamanca à meia-noite
Já passara a meia-noite, assim contam as histórias, quando o silêncio prendia a terra adormecida sob seu manto de sombras; os vivos pareciam sombras mortas, os mortos se erguiam de suas covas. O céu vestia um véu de luto, nenhuma estrela rompia a noite; o vento assobiava pelas ruas, e lá no alto, ao longe, as torres das igrejas se erguiam como fantasmas negros contra a noite. [SUDDEN CLASH OF SWORDS — ORCHESTRAL STRIKE] De repente as espadas ressoaram— um grito! Um gemido de morte! Um grito cortou o ar da meia-noite e gelou o coração como pedra. Ah! [ABRUPT SILENCE — SOLO GUITAR] Calou-se o choque, um homem passou, o rosto escondido, a capa cerrada, o chapéu bem baixo contra a noite. Deslizou junto ao muro da igreja, onde as sombras cobriam a pedra; e no escuro, silenciosamente, o homem de capa sumiu, sozinho. [LOW STRINGS — STEADY, OMINOUS PULSE] Uma rua estreita entre altos muros, a Rua dos Caixões, fria e quieta, onde a escuridão reina sem fim e as sombras se juntam como querem. Nenhuma outra luz, só uma pequena chama arde diante da imagem sagrada, onde Jesus olha da parede e espera quem jamais voltará. [STRINGS RISE — GUITAR AND OUD] O homem cruzou a rua deserta, a espada nua ainda na mão; a lâmina brilhou diante da cruz— um risco de fogo sobre o chão.

