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IGREJAS COMO INSTITUIÇÕES POLÍTICAS E ECONÔMICAS

(estrofe 1) Jesus falava à beira do monte e do mar, Sem templos dourados nem tronos pra usar, Seu reino era interno, do coração fiel, Mas o homem fez trono do antigo papel. (estrofe 2) Teólogos vieram com penas na mão, Ergueram doutrinas, forjaram prisão, O amor que era livre virou regimento, E o Espírito preso num documento. (estrofe 3) Ergueram catedrais, brasões e bandeiras, Em nome de Cristo, venderam cadeiras, Chamaram de fé o poder terreno, E o Cristo humilde tornou-se pequeno. (refrão) Jesus não fundou burocracia, Pregou amor, perdão e poesia, Mas a igreja, em seu zelo mundano, Virou império, negócio humano. (estrofe 4) Inventaram cargos, hierarquias e lei, E o pobre operário perdeu o que tem, O ouro dos dízimos, a voz da multidão, Foram trocados por trono e cetro em vão. (estrofe 5) O altar virou palco de prestígio e poder, Onde poucos mandavam e muitos a crer, Com dogmas de ferro e fé por contrato, O santo evangelho virou aparato. (refrão) Jesus não fundou burocracia, Pregou amor, perdão e poesia, Mas a igreja, em seu zelo mundano, Virou império, negócio humano. (estrofe 6) Mas o vento ainda sopra em campos abertos, Onde corações buscam caminhos certos, Sem dogma, sem lucro, nem instituição, Só o Cristo no peito e a compaixão. (estrofe 7) Que voltem as almas ao ensino do Mestre, Ao pão repartido, à vida terrestre, Que o templo retorne a ser morada da luz, E o nome da Igreja volte a ser Jesus. (refrão) Jesus não fundou burocracia, Pregou amor, perdão e poesia, Mas a igreja, em seu zelo mundano, Virou império, negócio humano.