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O TEMPO DAS BRINCADEIRAS

(estrofe 1) A rua era um mundo aberto para explorar, Com pouca coisa nas mãos, mas vontade de inventar; Uma calçada virava reino, pista ou estação, E cada esquina escondia uma nova expedição. (estrofe 2) Jogávamos bola, corríamos sem perceber, E inventávamos regras que podiam se refazer; Se faltava algum brinquedo, sobrava imaginação, Pois a infância fabricava diversão. (estrofe 3) Havia bicicleta, pega-pega, esconde-esconde e corrida, E cada brincadeira parecia maior que a própria vida; O cansaço chegava, mas ninguém queria parar, Porque sempre havia outra aventura para começar. (estrofe 4) Às vezes uma caixa se tornava um caminhão, Um pedaço de madeira podia ser embarcação; Com pedras, gravetos e uma enorme fantasia, Construíamos universos antes que terminasse o dia. (refrão) Tenho saudades de mim no tempo das brincadeiras, Das aventuras simples, das ruas e das brincadeiras; Da liberdade de inventar sem medo de errar, E de descobrir o mundo simplesmente ao brincar. (estrofe 5) Havia disputas, tropeços, pequenas confusões, Mas logo surgiam novas reconciliações; Uma discussão podia durar somente um instante, Pois brincar novamente era sempre mais importante. (estrofe 6) O fim da tarde chegava tingindo o céu de dourado, E eu voltava para casa cansado e encantado; Talvez naquele tempo eu não pudesse compreender Que aqueles pequenos dias jamais iriam se perder. (estrofe 7) A infância não perguntava quanto tempo iria durar, Nem exigia grandes planos para poder aproveitar; Bastava estar presente, correr, imaginar e viver, E deixar cada descoberta simplesmente acontecer. (refrão) Tenho saudades de mim no tempo das brincadeiras, Das aventuras simples, das ruas e das brincadeiras; Da liberdade de inventar sem medo de errar, E de descobrir o mundo simplesmente ao brincar. (estrofe 8) Hoje existem brinquedos muito mais sofisticados, Mas não substituem aqueles mundos improvisados; Porque o encanto não estava no objeto que eu possuía, Estava na liberdade que minha imaginação criava. (estrofe 9) Quando lembro daqueles dias, consigo perceber Que brincar também foi uma maneira de crescer; Aprendi a cooperar, perder, ganhar e negociar, E a cair algumas vezes para depois levantar. (estrofe 10) O tempo levou as ruas, os amigos e a infância, Mas deixou dentro de mim aquela antiga esperança; E talvez amadurecer não seja deixar tudo partir, Mas carregar a criança que ainda sabe descobrir. (ponte) Lamento as vezes em que esqueci de simplesmente brincar, Quando deixei a preocupação minha alegria ocupar; Troquei descobertas por pressa, espontaneidade por dever, E quase esqueci que também nasci para viver. (refrão) Tenho saudades de mim no tempo das brincadeiras, Das aventuras simples, das ruas e das brincadeiras; Da liberdade de inventar sem medo de errar, E de descobrir o mundo simplesmente ao brincar. (refrão final) Hoje eu amo quem sou e escolho novamente sorrir, Conservo em mim a criança que ainda quer descobrir; Se a tristeza chegar, terá espaço para existir, Mas não roubará minha alegria nem meu desejo de seguir.