
Crê! Últimos Sonetos, de Cruz e Souza, 1905 "post mortem" ******* Vê como a Dor te transcendentaliza! Mas do fundo da Dor crê nobremente. Transfigura o teu ser na força crente Que tudo torna belo e diviniza. Que seja a Crença uma celeste brisa Inflando as velas dos batéis do Oriente Do teu Sonho supremo, onipotente, Que nos astros do céu se cristaliza. Tua alma e coração fiquem mais graves, Iluminados por carinhos suaves, Na doçura imortal sorrindo e crendo... Oh! Crê! Toda a alma humana necessita De uma Esfera de cânticos, bendita, Para andar crendo e para andar gemendo!

