(estrofe 1) Naveguei por águas de quieta amplidão, onde falava mais alto a reflexão, e longe do aplauso ou da exibição, começou a mudar meu coração. (estrofe 2) Nenhuma bandeira marcava o lugar, nenhum observador podia notar, mas sob a superfície da aparência comum, erguia-se um novo ser, profundo e incomum. (estrofe 3) As correntes ocultas do pensamento, lapidavam minha alma a cada momento, como rio paciente sobre o pedregal, esculpindo sentidos de forma gradual. (estrofe 4) A lua derramava seu brilho prateado, sobre um oceano calmo e concentrado, e aprendi naquela silenciosa imersão, que a transformação floresce na solidão. (refrão) Travessia silenciosa, obra interior, que transforma a alma com discreto vigor, ninguém vê o que ocorre no coração, mas ali nasce uma nova direção. (estrofe 5) Vi sementes escondidas sob o chão, preparando em segredo sua germinação, e compreendi que todo verdadeiro crescer, precisa primeiro amadurecer. (estrofe 6) As montanhas distantes guardavam esplendor, sem necessidade de exibir seu valor, e ensinaram ao meu entendimento, a dignidade do desenvolvimento. (estrofe 7) O vento atravessava a vegetação, sem deixar visível sua construção, mas alterava a forma da paisagem inteira, com sua ação constante e verdadeira. (refrão) Travessia silenciosa, obra interior, que transforma a alma com discreto vigor, ninguém vê o que ocorre no coração, mas ali nasce uma nova direção. (estrofe 8) Observei a pérola no fundo do mar, que levou longo tempo para se formar, e nela encontrei uma revelação, sobre paciência e evolução. (estrofe 9) As estrelas seguiam seu curso fiel, mesmo ocultas por nuvens sob o céu, e percebi que o progresso mais profundo, nem sempre é percebido pelo mundo. (estrofe 10) Hoje compreendo a beleza do esperar, e dos caminhos que não se pode apressar, pois a alma encontra renovação, nas jornadas secretas da transformação. (ponte) Lamento os dias em que deixei de acreditar, nos processos que não podia enxergar, quando desprezei o lento florescer, e abandonei a coragem de crescer. (refrão) Travessia silenciosa, obra interior, que transforma a alma com discreto vigor, ninguém vê o que ocorre no coração, mas ali nasce uma nova direção. (refrão final) Hoje eu me amo e escolho sorrir, mesmo quando algumas tristezas vêm surgir, abraço a vida com esperança e gratidão, e cultivo alegria em meu coração.