
Olhei pro mundo e vi a engrenagem girar, Em todo canto tem alguém querendo faturar. Lá fora o lobby dita as regras do mercado, O poderoso joga o jogo mascarado. Mas quando eu olho pro meu solo varonil, O bicho pega no xadrez do meu Brasil... Aqui a coisa ganhou nova dimensão, Mudaram o preço da nossa constituição! Vende-se a lei na calada da comissão, Compra-se a mordaça pra calar a indignação! A caneta que assina, o martelo que bate o cinzel, Transformaram a justiça num balcão de papel! O tribunal que era o templo do direito, Viu a sentença virar mercadoria do peito. Quem tem dinheiro sai da mira da prisão, Quem é do povo amarga o peso do camburão. O Executivo faz barganha com emenda, Legislação virou produto pra prevenda. É o mesmo enredo que mudou de personagem, A estrutura continua na vantagem. Dizem que o mundo vive em crise institucional, Que o cinismo virou regra global. Mas o meu povo, que trabalha o dia inteiro, Vê o futuro leiloado por dinheiro. Troca o governo, muda a cor do pavilhão, Mas não desfazem o nó da corrupção. O meu partido é a esperança desse chão, Que chora o samba feito de indignação! Vende-se a lei na calada da comissão, Compra-se a mordaça pra calar a indignação! A caneta que assina, o martelo que bate o cinzel, Transformaram a justiça num balcão de papel! E o povo assistindo... pagando a conta da inflação.

