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42 Vinho Negro

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V5

Vinho negro Últimos Sonetos, de Cruz e Souza, 1905 "post mortem" ******* O vinho negro do imortal pecado Envenenou nossas humanas veias Como fascinações de atras sereias De um inferno sinistro e perfumado. O sangue canta, o sol maravilhado Do nosso corpo, em ondas fartas, cheias Como que quer rasgar essas cadeias Em que a carne o retém acorrentado. E o sangue chama o vinho negro e quente Do pecado letal, impenitente, O vinho negro do pecado inquieto. E tudo nesse vinho mais se apura, Ganha outra graça, forma e formosura, Grave beleza d’esplendor secreto.