
[Verso 1] Pedi pro meu pai a herança Coração cheio de arrogância Meti o pé no mundo, nem olhei pra trás Mesa cheia, copo virando Tanta gente me cercando Achei que aquilo tudo nunca ia ter fim [Verso 2] Tinha amigo em toda esquina Tinha beijo em cada esquina Risada alta pra tentar me convencer Que vazio também faz festa Que quem paga sempre presta Mas o bolso é curto, e a noite é longa demais [Refrão] Quando o dinheiro foi embora Foi embora todo mundo Fiquei só com minha vergonha Sentado encarando o fundo Da sarjeta pra lama Da lama pro chão Só sobrou saudade Da casa do meu pai, do abraço, do pão [Verso 3] Procurei qualquer trabalho Mão calejada de atalho Fui cuidar de porcos pra não enlouquecer Tinha fome, tinha frio Vendo o cocho, aquele milho Desejando o que os porcos tinham pra comer [Pré-Refrão] Ali no meio da sujeira A lembrança veio inteira Mesa posta, voz chamando pelo meu nome E eu caído na distância Escondido na arrogância Perdido entre a saudade e a minha própria fome [Refrão] Quando o dinheiro foi embora Foi embora todo mundo Fiquei só com minha vergonha Sentado encarando o fundo Da sarjeta pra lama Da lama pro chão Só sobrou saudade Da casa do meu pai, do abraço, do pão [Ponte] Eu disse pra mim mesmo: "Levanta desse lugar Na casa do teu pai Até empregado tem o que jantar" Vou voltar pedindo desculpa Nem título, nem orgulho Só quero ouvir de novo: "Filho meu, vem descansar" [Refrão] Quando eu vi ele correndo Vindo em minha direção Sujo, fraco, eu tremendo Ele abriu o coração Me cobriu com seu abraço Lavou minha solidão Hoje eu tenho tudo Na casa do meu pai, no colo, no perdão [Refrão] Quando o dinheiro foi embora Descobri o que é verdade Não é ouro, não é festa É presença, é lealdade Da sarjeta pra graça Do fundo pro chão Meu lugar é sempre Na casa do meu pai, no amor, no perdão (oh)

