
(estrofe 1) Entro na mata e o ar me abraça, com cheiro de terra, madeira e flor; cada respiração renova a graça, como um abraço do mundo acolhedor. (estrofe 2) Há perfume de folhas molhadas, de troncos antigos, de chuva recente; fragrâncias discretas, entrelaçadas, que acordam lembranças dentro da gente. (estrofe 3) O aroma percorre caminhos secretos, desperta sentidos sem nada exigir; faz dos recantos mais quietos um convite profundo para sentir. (estrofe 4) Respiro e percebo, com gratidão, que a mata não vive somente de olhar; seu cheiro atravessa a imaginação e ensina outras formas de contemplar. (refrão) Cheiro da mata, mensagem no ar, memória verde que abraça e conduz; respirar é também escutar o que a vida sussurra em sua luz. (estrofe 5) A terra molhada conta histórias de raízes sedentas que a chuva alcançou; fungos e folhas, em lentas memórias, transformam o que cai na vida que brotou. (estrofe 6) Cada fragrância tem sua origem, cada organismo cumpre uma função; seres discretos sustentam a vertigem de tanta existência em renovação. (estrofe 7) A mata me ensina a não separar o que vive escondido do que posso ver; há mundos inteiros a trabalhar para que a floresta continue a crescer. (refrão) Cheiro da mata, mensagem no ar, memória verde que abraça e conduz; respirar é também escutar o que a vida sussurra em sua luz. (estrofe 8) Não sou visitante de um mundo distante, também faço parte dessa ligação; o ar que me envolve neste instante aproxima meu corpo da vegetação. (estrofe 9) Por isso, proteger cada nascente, guardar cada árvore, cada lugar, é cuidar da vida presente e do futuro que ainda virá. (estrofe 10) Saio da mata levando comigo um perfume impossível de aprisionar; e sinto que o mundo respira comigo, pedindo cuidado em cada caminhar. (refrão) Cheiro da mata, mensagem no ar, memória verde que abraça e conduz; respirar é também escutar o que a vida sussurra em sua luz.

