
(estrofe 1) No deserto surgiu um rito de purificação, Cinzas e água em detalhada prescrição, E disseram que a pureza vinha da execução, De um complexo cerimonial de separação. (estrofe 2) Uma novilha vermelha, sem defeito e valor, Era entregue ao fogo em solene fervor, E suas cinzas guardadas com rigor e atenção, Como remédio sagrado para toda contaminação. (estrofe 3) O toque na morte trazia exclusão, E o medo do impuro cercava a multidão, E eu pensei por muitos anos, em sincera devoção, Que Deus dependia de fórmulas para oferecer perdão. (estrofe 4) Mas em minha alma nasceu a indagação, Se Tu és Amor em eterna expansão, Como precisarias de cinzas e manipulação, Para restaurar um simples coração? (refrão) Perdão Senhor, não és Deus de ritualização, Que condiciona o amor à purificação, Em Jesus Cristo vejo viva restauração, Teu toque transmite graça e reconciliação. (estrofe 5) Então Te vi diante do túmulo e da dor, Tocando o impuro sem qualquer temor, E aquilo que antes gerava separação, Transformou-se em abraço e libertação. (estrofe 6) Te vi curando leprosos com a própria mão, Sem exigir cinzas, fórmulas ou aspersão, Pois Tua presença, em serena comunhão, Purifica a vida de dentro do coração. (estrofe 7) Teu amor não depende de elaboração, Nem de minuciosa regulamentação, Basta um encontro em sincera oração, E floresce a mais profunda renovação. (refrão) Perdão Senhor, não és Deus de ritualização, Que condiciona o amor à purificação, Em Jesus Cristo vejo viva restauração, Teu toque transmite graça e reconciliação. (estrofe 8) Quantos ainda buscam na exteriorização, Aquilo que nasce na interior transformação, Como quem polisse a taça na superfície da mão, Sem perceber a sede do coração. (estrofe 9) Mas Tu és fonte, nascente e clarão, Rio que atravessa toda devastação, E não precisas de rígida preparação, Para derramar ternura e aceitação. (estrofe 10) Hoje compreendo, com serena convicção, Que antigos ritos revelam organização, Mas em Cristo encontro a plena revelação: Teu rosto é presença, cura e comunhão. (ponte) Falhei ao confundir símbolos com salvação, Ao prender Tua graça à regulamentação, Ao não perceber que Tua maior intenção, É habitar em nós como amor e transformação. (refrão) Perdão Senhor, não és Deus de ritualização, Que condiciona o amor à purificação, Em Jesus Cristo vejo viva restauração, Teu toque transmite graça e reconciliação. (refrão final) Descanso em Ti, Jesus, refúgio e calor, Jamais serias exigência, fórmula ou temor, És Deus que me acolhe com infinito favor, E permaneces para sempre absoluto amor.

