(estrofe 1) Nas sombras antigas da funda caverna, Onde o silêncio aprendeu a morar, Uma gota escrevia a história eterna Que os olhos apressados não podem notar. (estrofe 2) Caía tranquila do teto de pedra, Sem pressa de logo vencer o lugar; Seu gesto discreto, constante e sem guerra, Sabia que o tempo a iria honrar. (estrofe 3) Cada cristal era um verso gravado Na longa poesia da criação; O invisível trabalho, nunca apressado, Construía beleza na escuridão. (estrofe 4) Nem o vento forte, nem o calor, Mudavam o rumo daquela missão; A paciência moldava o esplendor Com a calma de cada estação. (refrão) Ó estalactite de lento formar, Escultura da água e da duração, Ensina que o tempo sabe criar As maiores obras da perseverança e da dedicação. (estrofe 5) A rocha acolhia a gota singela, Que voltava fiel ao mesmo lugar; E a natureza, prudente e bela, Transformava o pequeno em eterno altar. (estrofe 6) Quem entra na gruta contempla admirado Colunas erguidas em rara grandeza; Mas poucos imaginam o passado Que construiu tamanha beleza. (estrofe 7) Milênios passaram em doce silêncio, Enquanto a água jamais desistiu; Seu trabalho venceu o próprio tempo, E a pedra à ternura enfim se abriu. (refrão) Ó estalactite de lento formar, Escultura da água e da duração, Ensina que o tempo sabe criar As maiores obras da perseverança e da dedicação. (estrofe 8) Também nossa vida conhece demoras, Projetos que parecem não florescer; Mas Deus faz amadurecer as horas Daquilo que precisa crescer. (estrofe 9) Nenhuma virtude nasce completa, Nem a sabedoria vem de uma vez; A alma se lapida, discreta e quieta, Na escola paciente da lucidez. (estrofe 10) Ao sair daquela antiga caverna, Levei no coração esta inspiração: A grandeza mais bela, constante e sincera, É fruto do tempo, da fé e da dedicação. (refrão) Ó estalactite de lento formar, Escultura da água e da duração, Ensina que o tempo sabe criar As maiores obras da perseverança e da dedicação.