Assinei sorrindo, erro fatal Mil e quinhentos reais mensal Dezoito anos, CPF recém-criado E o banco já me chama de endividado Geladeira faz eco quando eu abro Arroz com nada, tempero é o diabo Planilha aberta, nada fecha Meu saldo some mais rápido que promessa Currículo spamado em todo lugar “Tem experiência?” — irmão, eu sei respirar (o que você espera?) Fala que vai ter retorno, ghost padrão Boleto nunca dá visual, só pressão Disseram “confia, é investimento” Não avisaram do sofrimento Faculdade chegou sorrindo Meu dinheiro saiu correndo Agora, fudeu Meu cartão gemeu Falindo aos dezoito Te contar o que é mais doido É tentar se sustentar A-a-agora, fudeu A fatura cresceu Fa-falindo aos dezoito Te contar o que é mais doido É tentar se sustentar Esse é meu sonho De 1.5 conto Entrevista online, câmera travada RH falando e eu pensando na fatura atrasada Salário: “a combinar” (combinar com quem?) Benefício: trauma e café ruim também Trampo seis por um, escala assassina Saio da aula parecendo zumbi de esquina Amigo chama pra rolezinho Eu respondo: “depende do preço do miojinho” Todo mundo posta “foco no futuro” Meu futuro manda cobrança no escuro “É só uma fase”, dizem sorrindo Essa fase cobra juros compostos meu querido?! Não é sad, é cômico Não é sonho, é econômico Não é drama, é sistema Me rindo pra não virar poema Agora, fudeu O meu cartão gemeu Falindo aos dezoito Te contar o que é mais doido É tentar se sustentar Agora, fudeu (e amanhã também) Meu saldo morreu (meu dinheiro, amém) Fa-falindo aos dezoito Te contar o que é mais doido É tentar se sustentar Esse é meu sonho De 1.5 conto (se alguém tiver vaga, chama) (Vou ser PJ, CLT, escravo moderno) (só preciso comer e estudar...) (amém rapazeada) (didin entra🙏💵🙏)