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39 Fogos-fátuos

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Fogos-fátuos Últimos Sonetos, de Cruz e Souza, 1905 "post mortem" ******* Há certas almas vãs, galvanizadas De emoção, de pureza, de bondade, Que como toda a azul imensidade Chegam a ser de súbito estreladas. E ficam como que transfiguradas Por momentos, na vaga suavidade De quem se eleva com serenidade Às risonhas, celestes madrugadas. Mas nada às vezes nelas corresponde Ao Sonho e ninguém sabe mais por onde Anda essa falsa e fugitiva chama... É que no fundo, na secreta essência, Essas almas de triste decadência São lama sempre e sempre serão lama.